Uma peça que não se limita ao palco. Que atravessa memórias. E que convida o público a encarar perguntas difíceis. Depois de marcar sua estreia em Goiânia, o espetáculo “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco” retorna aos palcos goianos em uma nova temporada. E, desta vez, com uma proposta ainda mais ampla.
Ao longo do mês de abril, a montagem do coletivo Teatro Gueroba percorre três cidades: Ouvidor, Goiânia e Anápolis. Todas as apresentações das peças são gratuitas. E reforçam um movimento importante. Levar o teatro para diferentes territórios. E aproximar o público de experiências artísticas mais profundas.
Foto: Guto Muniz
Uma história que atravessa o Brasil
A trama da peça parte de um ponto íntimo. Um homem comum. Um dia de festa. E, de repente, um confronto simbólico com Deus. A partir daí, ele revisita sua própria trajetória. Questiona decisões. E tenta entender como chegou até ali.
No entanto, a história rapidamente se expande. Entre a zona rural e a cidade, o espetáculo constrói uma narrativa que dialoga com o Brasil contemporâneo. Fala sobre pandemia. Sobre perdas. E, sobretudo, sobre uma sociedade atravessada por conflitos e polarizações.
Foto: Guto Muniz
Além disso, a encenação aposta em imagens fortes. Cruzes fincadas na terra. Elementos orgânicos. Sons e silêncios. Tudo isso cria uma experiência sensorial que vai além do texto.
Peça teatral como experiência sensorial
Sob direção de Hercules Morais, a montagem se distancia de uma narrativa linear. Em vez disso, propõe uma imersão.
Corpo, som e matéria ganham protagonismo. E o palco se transforma em um espaço de reflexão. Um lugar onde o público não apenas assiste, mas sente.
Foto: Guto Muniz
Segundo o diretor, o espetáculo nasce de um processo coletivo intenso. Durante meses, a equipe viveu em áreas rurais, em contato direto com comunidades, tradições e histórias locais. Esse mergulho no território ajudou a construir a identidade da obra.
E isso se reflete em cena. Cada apresentação se transforma. Cada cidade adiciona novas camadas. Como uma verdadeira encruzilhada de memórias.
Foto: Guto Muniz
Uma obra que nasce do território
O Teatro Gueroba, sediado em Ouvidor, tem como proposta investigar territórios em risco. E modos de vida que resistem. “Republikkk” é o primeiro espetáculo do grupo. E também inaugura um projeto maior: “Os Brasis de Darcy – Biografias de um País em Extinção”.
Foto: Guto Muniz
A pesquisa que deu origem à obra percorreu diferentes biomas brasileiros. Cerrado. Pantanal. Mata Atlântica. Pampa. Em cada lugar, artistas coletaram histórias, imagens e experiências.
Como resultado, além do espetáculo, nasce também uma exposição.
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Exposição amplia a experiência
Durante a temporada em Goiânia, o público poderá visitar a mostra “Os Brasis de Darcy”, no espaço LACENA da UFG. A instalação propõe uma imersão sensorial nos biomas brasileiros ameaçados.
Foto: Guto Muniz
Com sons, materiais naturais e relatos, a exposição amplia o debate. Sai da pandemia. E avança para questões ambientais. Mostra um Brasil múltiplo. E, ao mesmo tempo, vulnerável.
Mais do que assistir, participar
Outro destaque da temporada de peças são as ações formativas. Oficinas voltadas para estudantes e comunidade serão realizadas durante o período. A proposta é compartilhar processos criativos. E aproximar ainda mais o público do fazer teatral.
Foto: Guto Muniz
Além disso, a peça já passou por importantes circuitos. Entre eles, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp). Onde recebeu destaque de público e crítica.
Serviço
Espetáculo: “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco”
Classificação: 14 anos
Ouvidor
12 de abril, às 18h
Local: Comunidade Paraíso de Cima
Goiânia
15 a 19 de abril (19h | domingo às 18h)
Local: Teatro LACENA/UFG
Anápolis
24 a 26 de abril
Local: Teatro Municipal de Anápolis
-Ingressos gratuitos: Sympla
– Mais informações: Instagram @teatrogueroba
Foto: Guto Muniz
-Atenção: Espetáculo com sons intensos, uso de fumaça e interação com o público
Em tempos em que tudo passa rápido, experiências que convidam à pausa ganham ainda mais valor. “Republikkk” não é apenas um espetáculo. É um convite. Para olhar. Para sentir. E, principalmente, para refletir.