Provas para concurso da Câmara foram aplicadas em 15 de março, mas agora concurso é alvo de desconfiança – Foto: arquivo
O Ministério Público de Goiás foi acionado para investigar uma suspeita de irregularidade envolvendo o concurso da Câmara Municipal de Goiânia, realizado em março, onde um servidor da instituição que preparou e aplicou as provas, o Instituto Verbena, foi aprovado em primeiro lugar no cargo de administrador. O instituto é ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG).
A Câmara informou ao Diário de Goiás nesta quarta-feira (1º) que soube das suspeitas na segunda (30) e convocou o Verbena. Nesta quarta, o Legislativo também se tornou denunciante do caso junto ao Coordenador da Área de Patrimônio Público e Terceiro Setor do MPGO, promotor Tommaso Leonardi, conforme protocolo enviado ao DG.
O servidor que foi aprovado, atingindo 96 pontos de 100, foi Luã Lírio de Sousa Cruz. Segundo divulgou a Tv Anhanguera, Luã seria assistente em administração na UFG e estava lotado no Instituto Verbena, onde prestava serviços à banca examinadora do instituto.
A pessoa que denunciou o caso anonimamente à Câmara e ao MP na segunda-feira teria dito acreditar que a alta pontuação do concorrente seria um sinal de que ele pode ter tido acesso à prova antes. A emissora mostrou que o funcionário era ativo e representava o Verbena em reuniões e viagens.
A reportagem do Diário de Goiás não conseguiu localizar Luã, mas o espaço está aberto para a manifestação dele.
Salário acima de R$ 10 mil
O cargo disputado pelo concurseiro tem salário que ultrapassa R$ 10 mil. Conforme a reportagem da Tv Anhanguera, em janeiro do ano passado Luã Lírio teria pedido o afastamento do Instituto e cedido à Defensoria Pública da União. Mas documentos do Portal da Transparência, anexados na denúncia, mostram que, mesmo cedido à Defensoria, ele continuava trabalhando e recebendo do Instituto Verbena.
Ainda segundo a reportagem, isso permaneceu mesmo quando o Instituto já havia assinado o contrato de R$ 2,6 milhões com a Câmara Municipal, em outubro do ano passado, para preparar e aplicar as provas. “Em janeiro deste ano, em pleno período de inscrições para o concurso, Luã participou desta reunião, representando o Instituto Verbena, como mostra reportagem do site da Universidade Federal de Goiás”, detalhou a emissora. A reportagem ainda apontou que, no dia 10 de março, cinco dias antes do concurso, Luã aparece em uma foto, representando o Instituto Verbena num evento na Paraíba.
Uma outra situação envolvendo o servidor é que o companheiro dele, Max Paulo, também presta serviços para o Instituto Verbena. Guarda civil metropolitano, Max Paulo é presidente da Associação dos Guardas Civis de Goiânia. “O nome de Max aparece na folha de pagamento do Instituto”, informou o repórter da tv, Honório Jacometto.
Segundo a denúncia à qual ele teve acesso, Max prestou serviços ao Instituto Verbena em março e julho, e também em outubro e novembro de 2025, durante o período de organização e execução do concurso. Uma foto de fevereiro do ano passado, no Instagram do Instituto, cita Max como um colaborador. “Ele aparece ao lado do presidente da Câmara, vereador Romário Policarpo, que contratou sem licitação o Instituto Verbena”, acrescenta o jornalista.
A reportagem também não conseguiu localizar o contato de Max Paulo e o espaço permanece aberto à versão dele.
Risco de anulação do concurso
A denúncia entregue ao Ministério Público pode caminhar para a anulação do concurso caso sejam comprovadas irregularidades como o vazamento de provas.
Ao DG, a Câmara encaminhou uma nota assinada por Policarpo e pela Presidente da Comissão Permanente de Concurso Público e de Estágio, Cassandra Arruda, (leia a íntegra ao final), junto com o ofício enviado ao Instituto Verbena na segunda-feira e cópia da denúncia ao MP, feita nesta quarta.
A nota enfatiza que a Comissão Permanente de Concurso, composta por servidores efetivos da Casa, sendo três procuradores, e a banca do Verbena, se reuniram ainda na tarde de segunda-feira (30), quando o pedido de providências foi formalizado e que o Legislativo aguarda as autoridades apurarem os fatos.
Procurada, a UFG encaminhou o contato da assessoria de Imprensa do Instituto Verbena. Um e-mail foi encaminhado ao instituto às 10h27, mas ainda não houve retorno. Como informado acima, os contatos de Luã e Max não foram localizados, entretanto, o espaço permanece aberto para os esclarecimentos que acharem pertinentes.
NOTA
“A Câmara de Goiânia levou a denúncia anônima ao conhecimento às autoridades competentes. Após receber, na última segunda-feira (30), denúncia anônima relacionada à realização de seu concurso público, a Câmara de Goiânia tomou imediatamente as medidas necessárias ao esclarecimento dos supostos fatos apresentados.
O presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Romário Policarpo, determinou o envio da denúncia anônima ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e acionou o Instituto Verbena-UFG, banca realizadora do certame, a tomar todas as providências necessárias à apuração das informações apresentadas na denúncia.
A Comissão Permanente de Concurso Público e Estágio Probatório (formada exclusivamente por servidores efetivos da Casa, entre eles três procuradores) e o banca Verbena se reuniram ainda na tarde de segunda-feira (30/3), ocasião em que o pedido de providências foi formalizado.”
Goiânia, 1º de abril de 2026.
Romário Policarpo
Presidente da Câmara Municipal de Goiânia
Cassandra Arruda de Sousa Araújo
Presidente da Comissão Permanente de Concurso Público e de Estágio
Probatório da Câmara Municipal de Goiânia
Câmara Municipal de Goiânia
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