Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Nobreza e velocidade na Lagoinha

No mundo do hipismo de velocidade, ele é a estrela da festa. É nele que o apostador foca sua atenção principal. São eles que os espectadores querem ver quando comparecem ao hipódromo. No mundo à parte que é o turfe, tudo gira em torno de sua majestade, o cavalo. E quando o assunto é excelência, não é qualquer cavalo. Trata-se do Puro Sangue Inglês (PSI), conhecido também por Thoroughbred, nome que recebeu em seu país de origem.

“Essa raça está no coração do turfe mundial”, declara a médica veterinária Carla Amorim, diretora do Departamento de Veterinária do Hipódromo da Lagoinha, em Goiânia. Ela acrescenta que o Puro Sangue Inglês está na base de todas as raças modernas como o quarto de milha, os mangalargas marchador e paulista e a appaloosa. A profissional fala com a autoridade de quem é a única inspetora credenciada de PSI em Goiás, e uma dos apenas 12 existentes em todo o Brasil.

Puro Sangue Inglês está na base de todas as raças modernas (Foto: Leo Iran)

Leia também: Reaberto no fim de março, Hipódromo da Lagoinha receberá nova corrida de cavalos em maio

O Puro Sangue Inglês possui algumas peculiaridades que o tornam quase uma espécie à parte entre os cavalos. Segundo Carla, todos os PSI surgiram em um processo no qual apenas três cavalos do Oriente Médio foram cruzados com royal mares, éguas nativas da Grã-Bretanha pertencentes aos estábulos dos reis ingleses James I e Charles I. Desses cruzamentos surgiram os garanhões Herod, Eclipse, Matchem e Highflyer. “Todos os PSI nascidos e que existem hoje surgiram desses quatro”, informa a médica veterinária.
O objetivo foi criar um cavalo alto, longilíneo, de pernas compridas, andar em trote e temperamento impetuoso, que unisse as características de velocidade e resistência, difíceis de andarem juntas.. Daí a preocupação com a perfeição geracional. “Todos os animais têm uma carteira de identificação e microchip, que são verificados antes das corridas, em procedimentos de tabulação de genealogia”, comenta.

O cuidado com a linhagem e a pureza acompanham a raça desde a concepção dos potros. Carla menciona as Regras de Londres, um receituário de normas rígidas para a criação de PSI. “Não é permitida nem a inseminação artificial, nem a transferência de embriões. Somente a monta natural”, explica. Outra característica é a pelagem. Apenas três padrões de cores são admitidos nas análises de pureza de linhagem: alazão, castanho e tordilho (ver boxe).

De acordo com o criador, ex-jóquei e médico veterinário João Godói, proprietário do Haras Delta 29 e diretor administrativo do Hipódromo da Lagoinha, os cuidados e treinamento do Puro Sangue Inglês envolvem várias instalações físicas e profissionais.

Depois de nascer em um haras, o potro é desmamado com aproximadamente seis meses. Quando completa dois anos, é levado ao hipódromo, onde é submetido à doma. É a fase da domesticação. “É quando ele é ensinado a aceitar a monta, a se acostumar com a embocadura e a obedecer aos comandos”, explica Godói.

Treinamento

Após a doma, o potro passa a ser alimentado com uma ração composta de um concentrado de alto valor energético, formado por grãos (milho, soja e sorgo), e um volumoso (capim ou feno), rico em fibras. O animal é alimentado duas vezes por dia com o concentrado. A quantidade é equivalente a 1% do peso corporal vivo. O cavalo também recebe três diárias rações de volumoso, em uma quantidade total de 3% do peso vivo. A dieta também inclui suplementos e complexos vitamínicos.

Untitled design
Foto: Léo Iran

A alimentação reforçada se justifica pela rotina intensa de treinamentos, que passam por técnicas de trote, galope e corrida em tiro. A rotina se repete de quatro a cinco dias por semana. Aos 2,5 anos, o cavalo está pronto para começar a correr.

O tipo de treinamento varia de acordo com as características do animal. Existem os velocistas, para corridas entre mil e 1,2 mil metros. Os “milheiros”, que recebem esse nome por sustentarem altas velocidades entre uma milha (1,3 mil metros) e 1,6 mil metros. Por fim, existem os fundistas, que correm grandes distâncias em corridas de 2,4 e 3,2 mil metros.

Leia mais: Hipódromo da Lagoinha prevê novas corridas após retomada com apostas em Goiânia

“No foot, no horse”

Um dos aspectos mais sensíveis na criação de um Puro Sangue Inglês envolve os cascos. A preocupação é tamanha que existem dois profissionais especializados no cuidado com as condições de pisadura dos PSI: o casqueiro e o ferreiro, responsável pela fabricação e aplicação das ferraduras. “Os potros são casqueados com três dias de vida. A partir daí, a casqueadura e o ferramento são mensais”, informa João Godói.

A mensalidade para se manter um animal no Hipódromo da Lagoinha é de R$ 1.500. No Hipódromo da Gávea, espaço turfístico mais célebre do país, esse valor chega a R$ 2.500.

Se os custos são altos ou não é questão a se discutir. Infelizmente, um aspecto no turfe brasileiro é certo: a diminuição da população de Puros Sangue Ingleses no Brasil acompanha a crise do esporte. Se na década de 1980 nasciam em média até 8 mil potros PSI por ano no país, em 2018 nasceram 1.700. Os números continuam caindo.
Para quem ama o turfe e sua estrela maior, a saída é apostar na resiliência do Jóquei Clube de Goiás e do Hipódromo da Lagoinha. “O Puro Sangue Inglês é a base de todas as outras raças de corrida. Se o turfe resistir, o futuro desse animal tão cativante está garantido”, afirma Carla Amorim.

Especial para o Mais Goiás

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Carreta carregada com bagaço de cana é destruída durante incêndio em Rio Verde

EM CHAMAS Bombeiros usaram 13 mil litros para conter chamas. Ninguém ficou ferido Publicado em:…

Goiânia recebe evento gratuito com show e discotecagem neste sábado (25) – Curta Mais

Goiânia recebe show e discotecagem gratuitos no próximo sábado (25). O evento ocorre a partir…

Atacante do Operário-PR chora após denúncia de racismo no duelo contra o Vila Nova pela Série B

CHORO Duas pessoas foram identificadas como as responsáveis pelas ofensas e uma delas já foi…