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Professor da UFG é afastado após denúncias de assédio

apuração interna

Vítimas afirmam que docente é reincidente; universidade nega omissão. Veja como denunciar

Alunas da Faculdade de Enfermagem da UFG apontam omissão da universidade na apuração de denúncias (Foto: FEN/UFG)

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Hugo Oliveira

O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) denunciado por alunas em casos de assédio moral e sexual foi afastado das funções na Faculdade de Enfermagem (FEN). Ao menos duas alunas do curso e uma professora presenciaram discursos que reforçam as acusações. Embora a instituição reforce ter instaurado apuração interna, estudantes procuraram o Mais Goiás para expor o comportamento do docente e apontar ‘anos de omissão’ da instituição diante condução denúncias e do próprio processo.

A UFG não revela o total de denúncias que têm o professor como alvo, uma vez que a investigação ocorre em sigilo. No entanto, afirma em nota enviada à reportagem, que as denúncias protocoladas na Ouvidoria foram encaminhadas à instância de apuração e tramitam na Coordenação de Processos Administrativos. O professor em questão, que não teve o nome divulgado, foi alvo de um processo administrativo disciplinar (PAD), que culminou em seu afastamento.

Denúncias de assédio na UFG

A política da UFG é de encaminhar para apuração apenas denúncias formalizadas na Ouvidoria da instituição. Segundo a universidade, este é o meio legal para apreciação dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos. A UFG prepara, em maio, uma ação na Faculdade de Enfermagem, para atender e acolher vítimas de assédio moral e sexual (leia o posicionamento completo no fim da matéria).

Denúncias contra professor afastado eram recorrentes (Foto: UFG)

Professor afastado ‘é reincidente’

Uma delas estudantes ouvidas pelo Mais Goiás foi chamada a depor no âmbito de um PAD instaurado para apurar uma entre as várias denúncias já formalizadas. A mesma aluna já participou de processos anteriores, mas revela que nenhum deles resultou no afastamento do docente.

“Ele usa o conteúdo das aulas sobre infecções sexualmente transmissíveis para se insinuar, dizendo por exemplo que vai ensinar as garotas a ter relações do jeito certo”, conta a vítima. “Essa situação está se estendendo há muito tempo. Já faz uns anos que entrei na UFG e eles não fazem nada”, diz a vítima.

‘Roupas curtas e preservativos’

Uma professora relata ter ouvido dele que mulheres que andam de roupa curta merecem ser assediadas. “Houve uma reação das meninas na época e foram todas de short, fazer o que chamaram de ‘shortaço’”, lembra ela.

Universidade Federal de Goiás (UFG) - (Foto: reprodução)
Universidade Federal de Goiás (UFG) – (Foto: reprodução)

A reportagem também ouviu uma estudante contar um episódio ocorrido em um Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão (Conpeex). “Tinha alunas distribuindo preservativos em um estande sobre DSTs e ele disse que não usava com a esposa, mas que poderia ensinar como utilizar. As meninas se afastaram e ele foi atrás delas. Depois, chegou perto e falou: ‘olha, não precisa ficar falando para ninguém que a gente conversa desses assuntos’”.

UFG caí 34 posições no ranking das melhores universidades do mundo
UFG caí 34 posições no ranking das melhores universidades do mundo (Foto: Divulgação/UFG)

Nota da UFG

“As denúncias contra um docente da Faculdade de Enfermagem (FEN) foram registradas perante a Ouvidoria da UFG e encaminhadas à instância de apuração, tramitando junto à Coordenação de Processos Administrativos sob sigilo. Foi aberto um processo administrativo disciplinar para apuração de condutas e foi determinado afastamento do docente denunciado no curso do processo.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) tem normativa que orienta a comunidade acadêmica para que toda denúncia de assédio seja formalizada na Ouvidoria, por ser o meio legalmente previsto para apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos. O canal oficial de recebimento de denúncias na Ouvidoria da UFG é a Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação – Fala.BR (acessível pelo link falabr.cgu.gov.br). A plataforma garante o anonimato do denunciante, o acompanhamento das respostas institucionais e o cumprimento dos prazos estabelecidos na legislação.

Está sendo planejada para o mês de maio ação conjunta na Faculdade de Enfermagem, com participação da Ouvidoria e da Secretaria de Inclusão da Universidade, prevendo atividades de acolhimento e diálogo sobre assédio moral e sexual. A Universidade Federal de Goiás reitera seu compromisso com a construção de um ambiente acadêmico saudável e livre de toda forma de assédio e preconceito.

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