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Cimehgo monitora possível ‘super El Niño’ em Goiás; veja consequências

CLIMA

Se o oceano atingir 2°C acima da média, o El Niño poderá atrasar o período chuvoso no estado

(Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

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Luanna Marques

O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) acompanha o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e avalia a possibilidade de formação de um El Niño no segundo semestre deste ano. Caso a temperatura do oceano atinja 2°C acima da média, o fenômeno climático poderá provocar atraso no início do período chuvoso em Goiás, além de ondas de calor mais intensas entre agosto e novembro.

Atualmente, a temperatura no Pacífico está em 0,6°C, se mantendo estável. Segundo o gerente do Cimehgo, André de Oliveira Amorim, ainda não há confirmação de um cenário extremo, mas o órgão segue monitorando a evolução do fenômeno. “Não está subindo como ocorreu de abril para maio”, afirmou.

De acordo com Amorim, o cenário mais crítico dependerá do comportamento das águas do Pacífico entre agosto e setembro. Caso o aquecimento alcance os 2°C acima da média, o fenômeno poderá alterar as rotas dos ventos e comprometer o transporte de umidade da Amazônia.

Possíveis consequências

Segundo o Cimehgo, se o Pacífico atingir 2°C acima da média, Goiás poderá registrar atraso de 15 a 20 dias no início do período chuvoso. Na prática, isso significa que outubro pode começar sem chuvas regulares ou com precipitações irregulares em diversas regiões do estado.

“Chove um dia, depois fica 10 dias sem chover. Para o produtor rural, isso é um problema, porque ele planta e perde”, explicou Amorim.

O órgão alerta que as chuvas poderiam até ocorrer durante outubro, mas sem regularidade suficiente para consolidar o início da estação chuvosa. A tendência seria de normalização apenas entre novembro e dezembro.

Aumento das temperaturas

Além dos impactos no campo, o cenário também pode provocar temperaturas acima da média em Goiânia e outras cidades goianas. Sem as chuvas para amenizar o calor, os termômetros podem registrar temperaturas acima de 29°C e 30°C.

“Setembro já é quente aqui, mas em outubro, normalmente, com as chuvas, a temperatura começa a cair. Sem chuva, você vai para 32, 33, 34 graus em Goiânia”, afirmou.

O gerente do Cimehgo destacou ainda que, caso o cenário de 2°C se confirme, alguns meses poderão registrar temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média climatológica, especialmente entre setembro e outubro.

Outro possível reflexo seria a redução no nível de rios e mananciais, embora o órgão ressalte que ainda é cedo para cravar esse cenário. “Tudo ainda está no campo das hipóteses. Mas, caso o Pacífico chegue a 2 graus acima da média, pode haver reflexos em Goiás, como redução abrupta no nível dos mananciais”, pontuou.

Monitoramento e prevenção

Diante da possibilidade de agravamento do fenômeno, o Cimehgo mantém alinhamento semanal com a Defesa Civil para organizar ações preventivas relacionadas ao risco de queimadas, estiagem prolongada e impactos no abastecimento de água.

“Nós estamos desenvolvendo atividades e nos preparando para essa situação que vem pela frente. O foco é se preparar, avisar e alertar. Goiás tem olhado para isso e está se preparando”, concluiu Amorim.

O órgão reforça que o cenário ainda está em acompanhamento e que a confirmação de um El Niño mais intenso dependerá da evolução das temperaturas no Oceano Pacífico nos próximos meses.

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