Problemas estruturais são avaliados, mas acessos laterais já foram anunciados por Sandro Mabel – Foto: Altair Tavares / DG
A Prefeitura de Goiânia começou os estudos para construir vias laterais ao viaduto que estava sendo erguido desde 2023 na confluência das avenidas Leste Oeste com Castelo Branco, mas que está parado desde a administração anterior. A obra tem falhas visíveis que já foram apontadas por técnicos e reiteradas nesta terça-feira (30) pelo prefeito Sandro Mabel, em entrevista no local. Ele avalia que as laterais vão estar liberadas entre 60 e 90 dias.
“Nós vamos construir as vias laterais enquanto se resolve o que vai se fazer com esse viaduto”, afirmou ele.
No fim de semana o prefeito lançou uma enquete pelas redes sociais para saber a opinião quanto ao destino da construção paralisada: aguardar um novo laudo técnico para verificar se o viaduto pode ser aproveitado ou realizar intervenções nas vias laterais existentes para reorganizar o fluxo de veículos enquanto uma solução definitiva não surge.
Ele afirmou nesta terça-feira que 300 mil pessoas votaram na enquete e “90% disseram que tem que passar pela lateral”.
Mabel citou as falhas estruturais na obra e até nas placas que sustentam o aterro feito no local. “Elas não passam no teste de segurança”, disse, reclamando em seguida que não se pode pensar em destruir o que foi feito e nem aguardar uma definição vinda do Poder Judiciário.
“Não dá pra derrubar e pronto”, diz Mabel
“Antes de você demolir uma obra dessa, mal-feita, uma ‘porcaria’ de uma obra dessa daqui você tem que tentar salvar, porque isso foi dinheiro público, quase 20 milhões de reais que foram empregados aí. Então, nós não podemos simplesmente dizer vamos derrubar e pronto”, declarou ainda.
Falando em “problemas de execução e de material”, o prefeito mostrou pontos em que a obra “estufou”. “Não sou engenheiro, mas, pelo que me falam, existe um erro de execução e principalmente de material. Quando você vê aquela lateral ali estufando é porque as placas não estão aguentando, não foram construídas com a resistência que elas precisavam. Então elas vão ter que ser trocadas, ter que ser retiradas e feitas outras placas no local”, exemplificou. Por outro lado, ele disse que se a avaliação técnica que foi determinada apontar uma situação de fragilidade extrema, não descarta a demolição da obra.
Via judicial
Perguntado pelo jornalista Altair Tavares, editor-geral do Diário de Goiás, sobre a responsabilidade da empresa que construiu as etapas da obra, Mabel respondeu que determinou ao Jurídico que a empreiteira seja executada, mas não vai esperar o resultado. “A cidade não pode ficar esperando [a cobrança judicial], que é o que nós estamos fazendo, ficar esperando”, afirmou.
Sandro Mabel ainda questionou o início do viaduto ter ocorrido mesmo com pendências fundiárias relativas a imóveis desapropriados. Ele citou uma casa onde os proprietários obtiveram decisão judicial, mas que agora a Prefeitura está negociando um acordo capaz de encerrar a pendenga na Justiça.
O prefeito se comprometeu em concluir as obras da Avenida Leste Oeste “de ponta a ponta” e ainda as da Avenida Goiás Norte.
Validade inferior
Ainda sobre a Leste Oeste, informações de técnicos da Secretaria da Infraestrutura de Goiânia apontam que os materiais utilizados na estrutura não dão a garantia de que ela vai ter uma validade de 50 anos. Uma validade menor exige da atual gestão uma avaliação do que deve ser deve ser feito sobre essa condição, por exemplo, para melhor a resistência das colunas, vigas e até da rampa do viaduto.
A rampa, apurou Altair Tavares com os técnicos, já está condenada, apresentando um defeito visível mesmo ainda incompleta e nunca usada. A situação sugere que a resistência lateral da rampa não é suficiente para aguentar o futuro tráfego de veículos por ela.
A reportagem não localizou o contato da construtora responsável pela obra. O espaço está aberto para a manifestação dela.
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