Novo trecho do BRT Norte-Sul vai até Terminal Cruzeiro, na divisa com Aparecida – Foto arquivo Secom Aparecida de Goiânia
A retomada das obras do BRT Norte-Sul será autorizada nesta terça-feira (14) pelo prefeito Sandro Mabel e autoridades envolvidas, para o início do novo trecho, a ser construído entre o Terminal Isidória, no Setor Pedro Ludovico, e o Terminal Cruzeiro, no setor Brasília em Aparecida de Goiânia, na divisa com a Capital.
A intervenção retoma uma etapa aguardada há anos para a conclusão do corredor e representa um avanço na expansão da infraestrutura do transporte coletivo da região. Para avançar com a obra, a previsão é de retirar 291 árvores, muitas com o replantio já em consideração.
O impacto foi previsto em um laudo ambiental protocolado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e pela Coordenação do BRT/NS pedindo autorização para a remoção para o avanço do BRT Norte-Sul. A informação foi divulgada pelo jornal O Popular nesta terça.
Nova etapa do BRT Norte-Sul
As obras contemplam a implantação do novo trecho e a conclusão da Estação 5, localizada na 4ª Radial, na área externa do Terminal Isidória, iniciada anteriormente e ainda não finalizada.
Segundo o jornal, o documento foi enviado à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e abrange o canteiro central das avenidas 4ª Radial e Rio Verde, no trecho entre os dois terminais.
O pedido, de acordo com o jornal, considera a remoção das árvores como “indispensável” para a execução da obra. “Tais exemplares apresentam conflitos com o traçado de continuidade das obras do BRT”, afirma o Laudo de Vegetação apresentado. Com base nesse documento, a pasta solicitou o licenciamento ambiental para autorizar a supressão das espécies arbóreas, informa a reportagem.
A superintendente de Obras e Serviços Públicos da Seinfra, Flávia Ribeiro Dias adiantou que haverá compensação ambiental e que árvores poderão ser transplantadas a exemplo do que ocorreu no processo de corte da Praça Ciro Lisita, no Setor Coimbra recentemente.
Ela declarou ao jornal que “é uma prioridade do prefeito Sandro Mabel que não haja nenhum corte de árvore que não seja extremamente necessário. O que der para a gente desviar do projeto, apesar do projeto ser retilíneo para atender à circulação de veículos de grande porte e longos, e não pode ter muitas curvas pelo trajeto, nós ainda tentaremos adequar para preservar o máximo possível dessas espécies para que não tenha tanto impacto no meio ambiente”.
Sem prazo definido
Ainda não há prazo para a conclusão do processo. Após a manifestação da Amma, o processo vai para a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que analisará a possibilidade de transplante das árvores indicadas pela área ambiental.
Ao todo, o laudo aponta exemplares de 21 espécies diferentes, entre elas 109 oitis, 59 palmeiras e 39 mangueiras, ainda segundo o jornal.
Na justificativa técnica encaminhada ao órgão ambiental consta que se trata de “medida excepcional, pontual e tecnicamente justificada” e que, “embora a supressão vegetal represente impacto ambiental localizado e temporário, os benefícios ambientais permanentes decorrentes da implantação do sistema BRT apresentam relevante interesse público e coletivo”.
Medidas mitigadoras
Além disso, ainda no campo ambiental, o laudo também apresenta “medidas mitigadoras e controle ambiental”, no qual o plano prevê vistorias técnicas nas copas das árvores antes de qualquer intervenção. O objetivo é identificar e proteger ninhos ativos ou animais da fauna silvestre local. A pasta também garantiu que haverá destinação adequada para resíduos vegetais que forem gerados pela remoção.
Levantamento feito pelo mesmo jornal mostrou que, desde 2015, já foram removidas 141 árvores e 156 palmeiras da Avenida 4ª Radial, além de 160 árvores e 28 palmeiras da Avenida Rio Verde, em decorrência das obras do BRT.
Benefícios do BRT
A proposta reforça que o empreendimento também gera benefícios para a cidade: “O Corredor Goiás BRT Norte-Sul constitui empreendimento estruturante para a mobilidade urbana de Goiânia, integrando importantes regiões da cidade mediante sistema de transporte coletivo de elevada capacidade operacional. Além dos benefícios diretos relacionados à redução dos tempos de deslocamento, aumento da segurança dos usuários e melhoria da acessibilidade universal, a implantação do corredor contribui significativamente para a sustentabilidade ambiental do sistema de transportes urbanos”.
O novo trecho do BRT Norte-Sul prevê:
- implantação do corredor entre os terminais Isidória e Cruzeiro,
- novas estações,
- requalificação das vias,
- construção de pista de rolamento para ônibus em concreto armado,
- adequação semafórica,
- melhorias na paisagem urbana,
- readequações de estacionamento,
- sinalização específica para o fluxo do BRT,
- obra de trincheira na Avenida Rio Verde com a Rua Tapajós
Segundo O Popular, nos bastidores, a prefeitura estuda um edital de R$ 8 milhões para contratar uma empresa de engenharia que monitore o andamento dos trabalhos.
Interrupções
Criado em 2010, o projeto do BRT Norte-Sul de Goiânia teve as obras interrompidas diversas vezes até que a empresa originalmente contratada abandonou o serviço em 2021.
No ano seguinte, a Prefeitura de Goiânia fez o distrato do contrato e preparou uma nova licitação junto à Caixa Econômica Federal.
Em 2024 a CEF aprovou a nova licitação. A Prefeitura publicou em dezembro o edital para a obra e, em setembro, o Trecho II do BRT Norte-Sul, do Terminal Isidória até o Recanto do Bosque, foi entregue.
Por fim, licitação do trecho I foi finalizada em 2025, com a empresa vencedora, a Construtora Alberto Couto Alves, homologada em 14 de abril.
Dados do processo
- Processo licitatório chegou a durar 16 meses e contrato foi assinado nesta segunda-feira (13)
- Contrato foi assinado com o Consórcio ACA BRT Norte-Sul formado pelas empresas Alberto Couto Alves ACA PT e Alberto Couto Alves Brasil
- Valor vencedor teve deságio de 5%, ficando em R$ 92.499.051,64
- Previsão é de que a obra dure 18 meses
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