A Polícia Civil trabalha para fechar as lacunas que envolvem o assassinato do jornalista Delson Carlos de Barros, ocorrido na sexta-feira (24), em um residencial da rua T-36, no Setor Bueno. Neste sábado havia informações truncadas sobre as condições em que ele foi atingido por facadas dentro do apartamento 701 do Residencial Dom Lourenço. Delson acabou morrendo ao tentar fugir, já no corredor do 5º andar.
Dúvidas sobre a identidade da vítima e da principal suspeita
A Polícia enfrentava dificuldades para confirmar a real identificação do jornalista que não nasceu em Goiás e cuja documentação apresentava divergência no sobrenome.
Também existe dúvida quanto à profissão da principal suspeita do homicídio, identificada como Renata de Almeida Pedreira e Souza. Ela se apresenta nas redes sociais como advogada Renata Oliveira, empresária e CEO de um perfil de venda de roupas. Entretanto, segundo apurou a Tv Anhanguera, a mulher não tem registro na Ordem dos Advogados e teria registro ativo como odontóloga no conselho dessa categoria.
Relação de amizade entre Delson, Renata e o marido do jornalista
Renata é a proprietária do apartamento que era alugado para Delson e o marido há cerca de cinco anos. Ela era amiga do casal de longa data e já até tinha publicado posts falando que eram um “trisal”. Vídeos também mostram eles brincando e dançando em diferentes ocasiões e ambientes.
O que aconteceu antes e durante o crime
Na sexta-feira, junto com uma namorada, Renata teria encontrado o casal de amigos e todos ficaram no apartamento consumindo bebidas alcóolicas durante a tarde. O marido do jornalista relatou à Polícia que tudo estava tranquilo e que ele saiu por volta das 18h, deixando Delson e as duas.
Versões divergentes sobre quem desferiu as facadas
Embora a Polícia Militar tenha registrado depoimentos de duas pessoas na sexta-feira, informando que durante uma discussão Delson desferiu uma facada na companheira da advogada, a versão deste sábado era de que Renata é quem teria atingido Delson e depois a própria companheira quando supostamente ela tentou impedir a mulher.
As duas vítimas teriam então saído do apartamento sangrando e pedindo socorro pelas escadas até o corredor do 5º andar, onde ele caiu morto. A namorada de Renata foi socorrida no Cais Nova Era com um ferimento leve e foi liberada ainda na sexta.
Negociação da PM terminou com invasão ao apartamento
Quando a PM chegou no residencial, acionada por causa do homicídio, Renata se trancou dentro do apartamento, jogou um notebook pela janela e ameaçou se matar. Após mais de duas horas de negociação, equipes especializadas explodiram a porta e mobilizaram a suspeita usando um teaser.
Ela ficou levemente ferida e foi levada para o Hospital de Urgências de Goiás (Hugo). Neste sábado ela já estava em poder da Polícia Civil aguardando audiência de custódia.
Polícia Civil busca ouvir testemunhas e esclarecer os fatos
O delegado da Polícia Civil Eduardo Carrara estima que é preciso ouvir cerca de dez testemunhas para ligar as peças do crime. A principal pessoa a depor é Renata, que já foi autuada por homicídio consumado e permaneceu em silêncio ao ser notificada da prisão em flagrante.
Carrara representou pela decretação da prisão preventiva da mulher e espera que ela permaneça presa “até para esclarecer mais sobre as circunstâncias”, disse em entrevista à Tv Anhanguera. Ele observou que, apesar de muitas versões nas redes sociais indicarem diversas testemunhas do crime, nenhuma delas já tinha sido encaminhada para ser ouvida.
O delegado enfatizou a importância de a namorada de Renata ser chamada e ouvida para ter uma dimensão melhor dos fatos. “Uns disseram que as lesões na companheira foi quando ela tentou defender o jornalista, outros falam que foi propositalmente e que ela [Renata] tentou atingir a companheira”, frisou. Ele vai remeter os autos para a Delegacia de Homicídios na segunda-feira (27) para que as outras testemunhas sejam intimadas.
Defesa da suspeita e manifestações de pesar
A defesa de Renata de Almeida Pedreira e Souza está sendo feita pela Defensoria Pública do Estado (DPE) que não comenta sua atuação nesses casos.
A morte trágica do jornalista, que era colunista social do jornal Diário de Aparecida há vários anos, foi lamentada pelo veículo de comunicação.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Goiás e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, divulgaram notas de pesar.
NOTA DE PESAR
“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás (Sindjor Goiás) manifesta profundo pesar pelo falecimento do jornalista Delson Carlos, ocorrido na noite desta sexta-feira (24), em Goiânia.
Neste momento de dor, a Diretoria do Sindjor Goiás se solidariza com os familiares, amigos e colegas de profissão, desejando força e serenidade para enfrentar esta profunda tristeza.
A partida de Delson Carlos deixa uma lacuna no jornalismo goiano e na vida de todos que tiveram a oportunidade de conviver com ele.
Diante das circunstâncias em que ocorreu o falecimento, o Sindjor Goiás espera que os fatos sejam apurados com rigor, celeridade e transparência pelas autoridades competentes, para que todos os esclarecimentos sejam prestados.
Nossos mais sinceros sentimentos.”
Diretoria do Sindjor Goiás.
NOTA DE PESAR
“O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, manifesta profundo pesar pelo falecimento trágico do jornalista Delson Carlos, ocorrido na noite desta sexta-feira (24).
Neste momento de dor, o prefeito e toda a administração municipal se solidarizam com os familiares, amigos e colegas de profissão, desejando força e serenidade e que Deus possa confortar o coração de todos.
A partida de Delson Carlos deixa uma lacuna no jornalismo social goiano e na vida de todos que tiveram a oportunidade de conviver com ele. Colunista respeitado e parceiro da Prefeitura de Aparecida, sempre exerceu o jornalismo com dedicação.”
Leandro Vilela
Prefeito de Aparecida de Goiânia
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