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Estudo da UFG liga epidemia de violência contra professores à falta de remuneração justa e infraestrutura precária


Cenário de violência contra professores não é fato isolado do contexto – Foto: Tânia Rego Agência Brasil

Um novo estudo, publicado pelo Observatório do Estado Social Brasileiro, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), revela que a violência crescente contra professores no ensino básico é reflexo direto da precarização estrutural do trabalho docente no Brasil. A pesquisa, publicada este mês – quando se celebra o Dia do Professor, nesta quarta-feira (15) -, aponta que a combinação entre baixos salários, más condições de trabalho e ausência de políticas públicas efetivas cria o ambiente propício para a escalada de agressões e adoecimento psicológico nas escolas.

Segundo o professor Tadeu Arrais, do Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa/UFG) e um dos coordenadores do levantamento, o objetivo do estudo foi compreender a violência escolar não como problema isolado, mas como resultado das omissões do Estado e das políticas de austeridade que reduziram investimentos em educação. “A violência é o sintoma mais visível da degradação das condições de trabalho e da responsabilização individual do professor”, afirma.

Indicadores incluem violência armada no entorno das escolas

A análise foi feita com base em dados públicos do Censo Escolar, do Inep e de relatórios nacionais, como o Educação Sob Cerco. O estudo mostra que, em 2024, o Brasil contava com 2,5 milhões de docentes e mais de 47 milhões de matrículas no ensino básico. Entre os indicadores analisados estão: infraestrutura, vínculos empregatícios, remuneração e esforço docente, além de dados sobre violência armada no entorno das escolas.

Goiás também enfrenta cenário preocupante

A situação em Goiás reflete a tendência nacional de precarização, segundo o estudo. Os dados citados na publicação revelam que a rede estadual goiana registrou 2.963 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2023, número que revela a pressão psicológica e o desgaste dos profissionais da educação.

A proporção de professores com vínculo temporário nas escolas goianas também tem crescido, reproduzindo um padrão de instabilidade e insegurança trabalhista. Esse modelo, segundo o Observatório, fragmenta o coletivo docente e aumenta o risco de adoecimento e evasão da profissão.

Salários abaixo do piso e escolas sem estrutura

A pesquisa reforça que a violência simbólica e física contra professores está diretamente associada à falta de valorização profissional. Em 2022, diversos estados ainda pagavam salários iniciais abaixo do piso nacional do magistério, como Rio de Janeiro (R$ 3.333,09) e Minas Gerais (R$ 3.917,48), para 40 horas semanais.

A infraestrutura das escolas também é precária: apenas 38% das salas de aula das redes estaduais eram climatizadas e 40,3% das escolas municipais contavam com bibliotecas em 2024. “A soma de baixos salários, más condições e sobrecarga gera um ciclo de desumanização”, destaca o relatório.

Violência como sintoma estrutural

Relatórios complementares, como o da Unicef, mostram que 1 em cada 10 professores já presenciou atentados à vida em escolas, e 4 em cada 10 presenciaram agressões. No Rio de Janeiro, 16% afirmaram que suas unidades foram impactadas por tiroteios ou balas perdidas.

O estudo da UFG, ao deslocar o foco da violência individual para as condições estruturais, aponta que o caminho da mudança passa pelo investimento público em salários, infraestrutura e valorização docente, além da autonomia pedagógica e da redução da burocratização imposta por rankings e metas.

Sobre o Observatório

O Observatório do Estado Social Brasileiro é uma plataforma criada pela UFG com financiamento do CNPq e parceria com UEG, IFG e IF Goiano. A iniciativa busca oferecer à sociedade dados e análises sobre as políticas públicas e os efeitos das ações estatais nas condições sociais do país.


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