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Servidoras de presídio feminino em Rio Verde denunciam intimidação e retaliações

DENÚNCIA

Vigilantes penitenciárias acusam diretora da unidade de assédio e perseguição

Unidade Prisional Regional Feminina de Rio de Verde (Foto: Divulgação/Governo de Goiás)

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Luanna Marques

Servidoras da Unidade Prisional Regional (UPR) Feminina de Rio Verde denunciam situações de perseguição, intimidação e assédio moral que teriam sido praticados pela gestora da unidade. As acusações foram registradas formalmente em diferentes órgãos públicos e incluem relatos de ameaças, retaliações e afastamentos arbitrários.

Um dos boletins de ocorrência, ao qual o Mais Goiás teve acesso, foi registrado na Delegacia de Polícia de Mineiros em 16 de outubro de 2025. No documento, a vigilante penitenciária Kailayne Silva Santos relatou ser alvo, desde abril, de ameaças e opressões por parte da mulher e de outra servidora. Segundo o registro, Kailayne foi informada de que seria transferida para a unidade de Santa Helena caso não cumprisse determinadas ordens.

A servidora, que reside em Mineiros, afirmou que a mudança de local de trabalho lhe causaria prejuízos e as intimidações resultaram em crises de ansiedade e em uma tentativa de suicídio.

No relato, Kailayne destacou ainda que outras colegas também estariam enfrentando situações semelhantes e algumas foram removidas da unidade após desentendimentos com a gestão. Diante disso, ela decidiu registrar a denúncia “para resguardar sua integridade física, psicológica e funcional”.

Ameaças e acusações

Outro caso semelhante foi relatado pela vigilante penitenciária Thaynara Tais Rodrigues de Paula Milhomem, que afirmou ter sido acusada injustamente pela diretora de conspirar contra a administração da unidade e de gravar situações internas da prisão. Segundo o relato, após negar as acusações, Thaynara passou a ser isolada da equipe, recebendo tarefas mais desgastantes — como o posto de guarita, sem proteção contra o sol — e foi proibida de participar de atividades em grupo.

“Recorri primeiramente à coordenação e enviei denúncia para a Corregedoria da Polícia Penal.
Mas nada é resolvido dentro da corporação; por esse motivo, recorri a todos os órgãos superiores e agora estou pedindo a ajuda de vocês. Não tive nenhum retorno, nem eu, nem as outras meninas”, contou Thaynara.

A servidora também relatou que colegas foram ameaçadas para não manter contato com ela e que, após registrar uma denúncia no Ministério Público do Estado de Goiás, em 24 de agosto, foi transferida para outra regional no dia seguinte.

Thaynara afirma que o caso resultou na abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD) contra ela, sob a acusação de uso indevido de atestados médicos, e que apresentou defesa acompanhada de laudos e documentos comprobatórios.

Além desses casos, a reportagem ouviu uma servidora que prefere não se identificar por medo, e que também mencionou situações de ameaças, tortura psicológica e assédio moral. Conforme consta em um boletim de ocorrência, a mulher afirma ter sido coagida a explicar se possui relações com uma detenta: “A diretora está pressionando e ameaçando outra detenta que está na mesma cela para confirmar que houve relação entre eu e a prisioneira”.

A Polícia Penal não se pronunciou sobre os relatos e denúncias até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.

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