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Crise política e investigação financeira colocam o São Paulo no centro das atenções; entenda o caso

Fora do campo

Tricolor ainda terá votação de impeachment do presidente Julio Casares nesta semana

São Paulo entra em semana decisiva com investigação e possível impeachment (Foto: Marcos Ribolli)

O São Paulo vive um início de Campeonato Paulista conturbado dentro e fora de campo. No último domingo (11/1), o Tricolor foi derrotado pelo Mirassol por 3 a 0, na estreia da competição. Fora das quatro linhas, porém, a situação é ainda mais delicada e promete desdobramentos importantes nos próximos dias.

Na sexta-feira (16/1), o clube irá votar o impeachment do presidente Julio Casares, em meio a uma investigação que envolve membros da atual e da antiga gestão. A apuração teve início após uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Civil de São Paulo, o que levou o Ministério Público a abrir um inquérito para investigar movimentações financeiras consideradas fora do padrão nas contas do clube.

O principal nome citado na investigação é Nelson Marques Ferreira, que atuou como diretor adjunto do São Paulo entre 2021 e novembro de 2025. Segundo as autoridades, foram identificadas a criação de cerca de 15 franquias e outras 15 empresas localizadas em shoppings centers, o que levantou suspeitas sobre possível uso irregular de recursos ligados ao clube.

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Outro ponto que chama a atenção da investigação diz respeito a saques em dinheiro realizados com apoio de carro-forte. De acordo com a polícia, 33 retiradas seguiram esse padrão. O maior volume ocorreu em 2024, com 11 saques que somam R$ 5,2 milhões. Já em 2025, foram registrados cinco saques, totalizando R$ 1,7 milhão.

Além de Nelson Marques Ferreira, o inquérito também analisa as contas bancárias do presidente Julio Casares e de pessoas próximas ao seu núcleo familiar. Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontaram movimentações consideradas atípicas ao longo de 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Nesse período, apesar de receber um salário mensal pouco acima de R$ 27 mil do São Paulo, as contas do dirigente registraram movimentações superiores a R$ 3 milhões, com média mensal em torno de R$ 110 mil. Parte desses valores teria sido depositada em dinheiro, segundo os relatórios.

A defesa de Julio Casares nega qualquer irregularidade. De acordo com o advogado dirigente não há relação entre os saques realizados pelo clube e os valores que entraram nas contas pessoais do presidente. O defensor afirma ainda que os recursos têm origem em atividades privadas anteriores e que Casares não tinha poder de decisão sobre a execução financeira das operações investigadas.

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