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Educação lidera afastamentos por saúde mental, aponta perícia divulgada por Sandro Mabel


Mabel reiterou que vê “excesso” nos atestados – Foto: reprodução de vídeo

Por causa de transtornos ansiosos-depressivos e ansiedade generalizada, os servidores da Educação lideram as licenças médicas e afastamentos das atividades. Foi o que constatou o balanço da perícia solicitada pelo prefeito Sandro Mabel, divulgado nesta sexta-feira pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), contratado para o serviço.

Foram cerca de 5.200 afastamentos da Educação, entre professores, agentes de apoio e administrativos, entre quase 13 mil atendimentos durante a perícia, realizada de abril a dezembro de 2025. Eles são se seguidos pela Saúde, com 1.400 atestados, especialmente de técnicos em saúde e enfermagem.

A dimensão do impacto na prestação de serviços foi avaliada por Mabel que destacou uma redução nos afastamentos após a decisão de fazer a perícia. Ele voltou a reclamar de “excesso de atestados”.

“Em 42% dos casos não foi concedido afastamento ou se diminuiu o tipo de afastamento. O que que isso vale para a prefeitura? Primeiro que vale R$ 35 milhões, que seriam de economia, que as pessoas estavam no trabalho ao invés de estar de atestado. (…) nós temos um excesso de atestados, um excesso”, afirmou Mabel. Ele vinha se queixando da situação desde que assumiu, no início do ano passado.

Entre medidas adotadas estão a redução de alguns afastamentos longos que eram automáticos, sem uma reavaliação. O prefeito citou casos de saúde mental, em que “não se aceita um atestado de 180 dias direto”. Ele justificou: “Nós aceitamos 60 dias, ele volta para uma reavaliação, para a gente saber se aquele remédio que ele está tomando, se aquele tratamento que ele está fazendo, está fazendo com que ele melhore”, pontuou.

Outro movimento foi no sentido encaminhar 751 desses servidores com problemas de saúde mental para aposentadoria ou adaptação em outros lugares.

O trabalho realizado, explicou o diretor perícias médicas do Sesi, Paulo Padovani, envolveu  uma junta médica com psiquiatra e médico do trabalho, dedicada a casos de saúde mental e uma perícia singular para demais afastamentos. “Foram 65% dos afastamentos relacionados a doenças não mentais; 35% ligados à saúde mental”, citou ele.

O total de dias de afastamento solicitados chegou a 394.207, o que foi explicado como resultado de atestados para muitos afastamentos longos, “alguns acima de 130 dias”.

A perícia concedeu  57% dos dias solicitados, somando 224 mil dias. Por outro lado, 43% não foram concedidos, somando 169 mil dias, devido a cortes ou reduções nos atestados, segundo ele.

Maiores incidências de CID editado
Prefeitura de Goiânia

Um total de 72% dos atendimentos resultaram em afastamento integral concedido, enquanto 20% foram deferidos parcialmente, ou seja, com redução do período solicitado, e 8% dos atestados foram negados.

Ele divulgou também a reação dos servidores que passaram pela perícia, indicando que  86,2% consideram o atendimento muito bom, 12,1% como bom, menos de 2% acharam regular, ruim, muito ruim. 

Conforme ele, a média de agendamentos para as perícias atualmente é de 1.500 a 1.800 servidores por mês. “É um número alto, mas se comparado com o início dessa operação, nós tínhamos em torno de 3.500 atendimentos por mês, então, era um número muito grande. Isso demonstra a efetividade”, disse o diretor.

Segundo ele, todos os servidores têm direito a pedir reconsideração quando o atestado é negado, “sendo reavaliados por equipe distinta”.

Perguntado pelo jornalista Altair Tavares, editor geral do Diário de Goiás sobre o que foi feito em relação aos casos que Mabel falava de desvios no uso dos atestados o prefeito respondeu que houve consequências. “Quando nós detectávamos desvios muito grandes, nós entrávamos com o PAD, que é um processo administrativo que a gente investiga se aquilo está certo ou errado.  E tiveram muitas demissões ou várias demissões de pessoas que realmente estavam fazendo fraude com atestado”, citou inicialmente. Depois, Mabel reconheceu as falhas do próprio sistema: “A nossa junta médica não conseguia avaliar [os pedidos de afastamento]. Então, a pessoa pegava um atestado de seis meses, e ele não era atendido [pela Junta] em seis meses”, reforçou.

Então, ele renovava o atestado dele e a gente ficou aqui quatro anos de atestado sem vir trabalhar.


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