O cinema goiano segue conquistando espaço e reconhecimento Brasil afora. O curta-metragem “Casca de Ferida”, dirigido por Kellen Casara e Rodrigo Celestino Rocha, acaba de ser selecionado para o 9º Festival de Cinema de Muriaé (MG), um dos mais tradicionais eventos audiovisuais do interior mineiro. A conquista marca a 10ª participação da obra em festivais nacionais e internacionais, consolidando uma trajetória de sucesso para a produção realizada em Goiás.
Com uma estética delicada e um enredo potente, o filme aborda o racismo estrutural e as violências silenciosas que atravessam o cotidiano da população negra. A história acompanha Pedro, um homem negro injustamente acusado, que enfrenta o peso dos estigmas e das desigualdades. Sem grandes falas, mas com gestos e olhares profundos, o curta revela o que muitas vezes é invisível: as feridas sociais que insistem em não cicatrizar.
Filme produzido com apoio da Lei Paulo Gustavo chega à 10ª seleção em festivais nacionais e internacionais. Foto: Secom
Um retrato sensível e necessário
Dirigido por uma equipe que une força criativa e olhar social, “Casca de Ferida” propõe uma reflexão sobre o preconceito racial por meio da arte. “Não se trata apenas de um filme, mas de um convite à empatia e à escuta”, define a diretora Kellen Casara, que também assina a produção junto à Gata Preta Produções e à Abaute Produções.
O curta foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, operacionalizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), e já percorreu mostras importantes, como o Egyptian American Film Festival (EUA/Egito), o Festival Leones de Fuego (Bolívia) e o Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões. Em cada exibição, o filme conquista novos públicos e coleciona indicações e prêmios.
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Filme goiano no mapa do cinema
A presença de “Casca de Ferida” no Festival de Cinema de Muriaé reforça o protagonismo crescente do cinema goiano na cena nacional. O evento mineiro, que chega à sua nona edição, é reconhecido por valorizar o cinema independente e promover debates sobre identidade, território e representatividade. Entre seus homenageados, já passaram nomes consagrados como Lima Duarte e Paulo Betti.
Com produções cada vez mais autorais e narrativas diversas, Goiás tem se tornado um celeiro de novos olhares e histórias que ecoam além das fronteiras regionais. “Casca de Ferida” é exemplo dessa força criativa que nasce no Centro-Oeste e dialoga com o mundo.