Hidrolândia, na Região Metropolitana de Goiânia, se prepara para mais uma temporada da jabuticaba, período em que a fruta movimenta a produção rural, o turismo e a economia do município. Reconhecida como a capital mundial da jabuticaba, a cidade possui uma cadeia produtiva que reúne pequenos produtores, grandes propriedades e atividades ligadas à gastronomia e ao turismo rural. Neste ano, a expectativa do município é receber até 100 mil visitantes.
Dados da Emater Goiás apontam que o município possui 128 pomares e quintais cadastrados com jabuticabeiras. O levantamento reúne desde propriedades familiares até áreas com aproximadamente 42 mil árvores. A produção anual da fruta é estimada em mais de 2,8 mil toneladas, que são destinadas tanto ao consumo in natura quanto à fabricação de produtos derivados, como geleias, doces, sucos, licores e vinhos artesanais.
Além da comercialização da fruta, a jabuticaba se tornou um dos principais atrativos turísticos de Hidrolândia durante o período da colheita. A safra normalmente ocorre entre agosto e outubro ou início de novembro, quando visitantes procuram os pomares para colher a fruta diretamente dos pés e conhecer a produção local.
Temporada deve atrair até 100 mil visitantes em Hidrolândia
Segundo o secretário municipal de Turismo e Cultura de Hidrolândia, Silvio Quirino, a expectativa da Prefeitura para a temporada de 2026 é de crescimento no número de visitantes. Apesar de o município não possuir uma pesquisa oficial de público, estimativas levantadas junto aos produtores indicam que os principais pontos de visitação receberam entre 60 mil e 70 mil pessoas no ano passado.
Para este ano, a administração municipal trabalha com uma projeção entre 80 mil e 100 mil visitantes durante a temporada. De acordo com Quirino, o movimento deve ser impulsionado pela divulgação da safra e pelas parcerias realizadas para ampliar a visibilidade da produção de jabuticaba.
O secretário afirma que o impacto da temporada vai além das propriedades rurais. Ele destaca que a presença dos turistas também movimenta outros setores da economia de Hidrolândia, como restaurantes, padarias, farmácias, mercados e empreendimentos localizados nas rotas de visitação.
Apesar da movimentação econômica gerada pela safra, Quirino explica que a Prefeitura ainda não possui um levantamento oficial sobre o valor financeiro movimentado durante a temporada. Segundo ele, a dificuldade está no modelo de comercialização da fruta, que ocorre principalmente por venda direta entre produtores e consumidores, sem passar por sistemas que permitam mensurar o volume comercializado.
Um levantamento realizado pela Prefeitura no ano passado identificou 140 produtores cadastrados no chamado “Mapa da Jabuticaba”. O cadastro reúne produtores que comercializam a fruta, recebem visitantes e também oferecem outros produtos, como alimentos artesanais e itens da economia criativa.
O número atualizado de propriedades abertas para visitação em 2026 ainda está em levantamento, já que a Prefeitura trabalha na atualização dos dados junto aos produtores para identificar quais locais estarão preparados para receber turistas durante a temporada.
Da fruta ao cardápio: jabuticaba ganha novas versões em Hidrolândia
A jabuticaba deixou de ser vista apenas como uma fruta de colheita e passou a ganhar novas possibilidades de consumo em Hidrolândia. Com apoio da Prefeitura e parcerias com instituições como a Emater Goiás, produtores passaram a receber orientações para transformar a fruta em produtos derivados e ampliar as formas de comercialização.

Conforme o secretário municipal de Turismo e Cultura, Silvio Quirino, o trabalho começou com a capacitação de produtores e proprietários de quintais de jabuticabeiras, com o objetivo de agregar valor à produção. A proposta é fazer com que a fruta deixe de ser comercializada apenas in natura e passe a ocupar espaços na gastronomia, em produtos artesanais e até em novos mercados.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão a produção de geleias, bolos, salgados, farinha de jabuticaba, sorvetes e outros derivados. A fruta também passou a ser utilizada em bebidas e preparações gastronômicas, como drinks, ampliando as possibilidades para restaurantes, bares e empreendimentos turísticos do município.

De acordo com Quirino, a estratégia busca fortalecer o turismo gastronômico e rural de Hidrolândia, criando novas fontes de renda para os produtores e estimulando o consumo da jabuticaba durante e após o período da safra.
Além dos alimentos, a fruta também desperta interesse de outros setores, como a indústria de cosméticos, que busca utilizar componentes da jabuticaba em novos produtos. Para a administração municipal, o movimento representa uma mudança na forma de enxergar a cultura da fruta, que passa a ser valorizada não apenas pela colheita, mas por toda a cadeia de produtos criada a partir dela.
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