Enquanto a investigação apontou que Thaliton Henrique Dias Machado foi morto por ordem do próprio pai, a família tenta lidar com um vazio que não cabe nos autos do inquérito. Para o irmão, Bruno Machado, a imagem de Thaliton que permanece não é a da violência do crime, mas a de um homem simples, que comemorava cada pequena conquista e fazia planos para um futuro que acreditava estar apenas começando.
O agricultor de 29 anos foi morto a tiros em 23 de janeiro deste ano, na chácara em que morava com a esposa e as três filhas. A Polícia Civil investigou o crime por seis meses e descobriu que o próprio pai, Ozanan Ricardo Machado, contratou o cunhado, por R$ 15 mil, para invadir a propriedade do filho durante a noite noite e o assassinar na horta.
Ozanan, a esposa Simone Silva Viana e o irmão dela, Wanderson da Silva Sousa, estão presos. A motivação, segundo a policia: Ozanan não pagou uma dívida de R$ 50 mil com o filho e não queria ser denunciado por Thaliton pela morte da companheira há 20 anos, em Pires do Rio.
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Alegre e dedicado à família
Thaliton havia comprado uma pequena propriedade rural em Trindade. O sonho era transformar o lugar, mesmo sem muitos recursos. Segundo Bruno, ele fazia tudo aos poucos, conforme o dinheiro permitia. Parte dos recursos que esperava receber estava com o pai, que, de acordo com o irmão, adiava constantemente o repasse.
“Ele comprou a roça e estava muito feliz, arrumando as coisas devagar, porque tinha pouco dinheiro. Os R$ 50 mil que ele tinha estava com meu pai por um empréstimo, e ele sempre enrolando para passar esse dinheiro”, contou.
Cada novo plantio era motivo de orgulho. Bruno lembra que o irmão costumava gravar vídeos mostrando a evolução da propriedade e enviava as imagens justamente ao pai. “Tudo o que ele plantava, mandava vídeos para o meu pai mostrando como estava.”

Apesar da empolgação com a nova fase, Thaliton levava uma vida discreta. Era um homem de poucas amizades e preferia a tranquilidade da propriedade rural. “Ele era de poucas amizades. Quase não levava ninguém lá.”
Mais do que a fazenda, porém, havia um projeto de vida que ocupava seus pensamentos: acompanhar o crescimento das três filhas, de 8, 10 e 11 anos.

Segundo Bruno, a relação de Thaliton com as meninas era marcada por presença constante e dedicação. Os momentos de lazer quase sempre envolviam pescarias em família. “Ele queria ver as filhas crescendo. Gostava de pescar com elas. Cuidava demais das meninas.”
Desde o assassinato, diz o irmão, as crianças enfrentam uma dor difícil de compreender. “Elas estão sofrendo. Foi muito difícil o que meu pai fez com ele.”
A vida afetiva também seguia um caminho raro. De acordo com Bruno, Thaliton teve apenas um relacionamento amoroso durante toda a vida. A esposa foi sua primeira e única namorada, e os dois faziam planos de envelhecer juntos.
“A relação deles era muito boa. Ele falava para ela que os dois iam morrer velhinhos.”

Como irmão, Bruno diz que perdeu seu maior incentivador. Acidentado e enfrentando dificuldades pessoais, encontrava em Thaliton alguém disposto a ajudar.
“Ele era um irmãozão. Sempre me apoiando e me ajudando, ainda mais nessa fase em que estou acidentado. Ele sempre pedia para eu suportar as aflições e seguir em frente.”
