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Jóqueis, donos ou cavalariços: quem os cavalos mais amam?

Os cavalos são a atração principal do turfe. É para eles que quase toda a atenção se volta. Uma parte dela vai para o jóquei, o atleta competidor, com seu fardamento colorido e sua destreza na montaria. Mas existe um profissional que, no momento do páreo, permanece na cocheira, anônimo e estranho ao público enquanto vibra com cada batida do casco no chão de terra. Fora dos holofotes, é para ele que todo o carinho e a atenção da estrela da festa se voltam. Chão de fábrica do turfe, o cavalariço costuma ser descrito como “a alma do cavalo”.

Assim como todos aqueles que se envolvem com esse universo, um cavalariço não se faz da noite para o dia. O começo envolve precocidade e paixão. “Eu entrei para o mundo do turfe com oito anos de idade. Fui me aproximando com um amigo. Não demorou muito. Os treinadores começaram a me passar os cavalos mais mansos para eu alimentar”, relata Wesley Albino Bibikow, 41 anos.

“Eu já tentei sair algumas vezes, já trabalhei de carteira assinada em outros lugares. Mas eu nunca consegui ficar longe. Passava uns meses e quando eu me dava conta já estava cuidando de cavalo de novo”, comenta o cavalariço, que só saiu da Lagoinha – definido por ele como sua “escola” – para cuidar de Puros Sangue Ingleses nos Hipódromos da Gávea, no Rio de Janeiro, e Cidade Jardim, em São Paulo.

Sem um intenso amor ao esporte e ao animal que o protagoniza, é impossível se dedicar a uma atividade que toma até 18 horas por dia de seu executor. “A gente não tem sábado, domingo, feriado, porque o cavalo precisa comer, precisa de cuidados com pelagem e com a saúde”, salienta William.

O cavalariço explica que seu dia começa às 4 horas da manhã. “A gente chega, e a primeira coisa que a gente observa é se o animal comeu ou não. Se ele não comeu tudo ou se ele deixou uma quantidade muito grande no cocho, então alguma coisa está errada”, afirma. Se o cavalo estiver em condições normais, segue a alimentação: duas vezes por dia, uma ração que leva mel ou melaço, milho ou aveia, alternada com algum “volumoso”: capim ou alfafa.

Leia também: Reaberto no fim de março, Hipódromo da Lagoinha receberá nova corrida de cavalos em maio

Há também a limpeza da baia, com escovação do pelo. “Eles deitam e ficam rolando na serragem”, conta William. O profissional explica se tratar de uma forma de relaxamento da musculatura. “O maior prazer de um cavalo de corrida é se movimentar. Eles adoram os treinos”, acrescenta.

Esses cuidados se repetem com vários animais, de inúmeros empregadores. William atua como cavalariço de seis animais, entre eles o PSI Old Kentucky, vencedor do primeiro páreo da corrida do dia 28 de março e já inscrito para um dos páreos do evento de 9 de maio.

Foto: Divulgação

Diário e prolongado por horas a fio, às vezes dia e noite adentro, o vínculo entre esses dois seres que o turfe uniu se transforma em uma amizade superior àquela entre seres humanos. “Como cavalo não tem falsidade. Você sente o carinho dele por você, o reconhecimento dele por você cuidar bem dele, não deixar ele se machucar. O tempo vai passando, e você passa a entender o animal nos mínimos gestos dele: quando o animal está triste, quando ele está desconfortável. Se o cavalo amanhece trotando diferente, você sabe o que é”, relata William.

Em dia de corrida, cuidados são redobrados
Quando é dia de corrida, os procedimentos do cavalariço mudam. Ração e água pela metade. “O cavalo percebe. Ele sabe que é dia de correr. Ele fica mais agitado”, comenta Wellington José da Silva, 58 anos, trabalhando no turfe desde os 16. “Eu me lembro de quando eu me apaixonei pelo turfe. Foi em uma corrida sexta-feira à noite. No outro dia, já estava pedindo para tratar dos (cavalos) mais mansos. Não saí mais”, rememora o profissional, enquanto mudava o PSI Old Thomas, 5 anos, de baia.

Para Wellington, um bom cavalariço tem de ter duas qualidades essenciais: capacidade de observação apurada e atenção a detalhes mínimos. “Você tem que perceber qualquer alteração que acontecer, se o cavalo não passou sede à noite, se ele ‘esterçou’ direito. Uma dificuldade que o animal tiver de urinar, uma diferençazinha que você notar pode ser sinal de problema, de uma lesão que pode ficar mais grave”, explica.

Esse cuidado especial chega a detalhes como o banho realizado logo após a corrida. William explica que a velocidade final alcançada pelo PSI em um páreo é tal que certas precauções devem ser tomadas para um resfriamento adequado de sua temperatura corporal. “Você tem que começar o banho das pernas e ir subindo. Se você começar da cabeça, corre o risco de o animal sofrer choque térmico”, explica William.

Wellington fala das ocasiões em que o instinto de um animal concebido para a corrida conduz a situações curiosas. “O Puro Sangue quer correr. É o sentido da vida dele. De vez em quando, a gente deixa uma porta de baia aberta, com o animal amarrado. Quando ele percebe a porta aberta e o caminho para fora livre, ele se solta sozinho, mordendo a corda”, comenta o cavalariço, enquanto preparava uma ração de melaço, aveia e milho para Old Thomas, cujo pelo, já bem escovado, brilhava ao sol do final de uma manhã de abril na Lagoinha.

Especial para Mais Goiás

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