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Jovem goiana transforma ao menos 4 vidas com doação de órgãos

Emoção

Após ter morte encefálica confirmada, Gyovanna teve coração, fígado, rins e córneas doados. Gesto atendeu a um desejo manifestado em vida

Foram transplantados o coração, o fígado, os rins e as córneas (Foto: Colagem/Divulgação/Arquivo Pessoal)

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Felipe Cardoso

Depois de 14 anos sem realizar um procedimento de captação de múltiplos órgãos, a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia voltou a fazer, na última sexta-feira (8/5), uma cirurgia dessa natureza. A paciente doadora, Gyovanna Pereira, de 20 anos, teve a morte encefálica confirmada pela equipe médica e ajudou, graças a um pedido feito em vida, a transformar a vida de pelo menos quatro pessoas que aguardavam na fila de transplantes.

Após a autorização dos familiares, os profissionais da Santa Casa deram início a uma complexa operação logística, coordenada pelas centrais de transplantes, para viabilizar a distribuição dos órgãos aos receptores compatíveis, em Goiás, Brasília e também no estado do Acre. Foram transplantados o coração, o fígado, os rins e as córneas da jovem.

SAIBA MAIS:

O momento foi marcado por emoção. Profissionais da unidade de saúde formaram um corredor no hospital, segurando balões verdes, em sinal de esperança, em homenagem à jovem e ao gesto de amor que salvou vidas.

Segundo a prima, Érica Santos, trabalhava na área da estética e desde muito jovem tinha um cuidado muito grande pelas pessoas. “Ela tinha um estúdio no fundo da casa dos pais e morava com eles. Era a caçula de três irmãos e sempre foi uma menina muito querida por todos. Todo mundo que conversava com ela pegava um carinho muito grande, porque ela tratava bem as pessoas, escutava, tinha um amor e um cuidado muito grande com todos”, relatou.

De acordo com Érica, a jovem foi diagnosticada com dermatomiosite em março de 2026. A doença rara é autoimune e causa inflamação muscular, além de lesões na pele. No período de internação na Santa Casa, segundo a prima, a jovem apresentou complicações e sofreu uma parada cardíaca, que resultou, mais tarde, na morte encefálica.

“Falar da Giovana, para mim, é falar sobre amor. Ela sempre falava que queria fazer algo grande, algo importante para as pessoas. A gente acredita muito que a doação foi esse algo. Ela tinha esse coração generoso, esse cuidado e afeto pelo próximo”, afirmou.

Jovem foi diagnosticada com dermatomiosite, uma doença autoimune, em março de 2026 (Foto: Colagem)

A decisão pela doação foi tomada em conjunto pelos pais e pelos dois irmãos, respeitando o desejo que a jovem já havia compartilhado em vida. “Foi um momento muito difícil. A mãe dela já estava sofrendo muito, o mês inteiro acompanhando a Giovana no hospital. Mas eles se uniram e falaram: ‘vamos fazer porque era o que representava a Giovana’. E acabaram transformando a dor em esperança”, disse.

Para a família, o gesto trouxe consolo em meio ao luto. “A gente passou o mês inteiro em oração pelo milagre da Giovana. E a gente entende que Deus respondeu não da forma que a gente queria, mas respondeu dando quatro milagres para outras pessoas. Ela foi um milagre”, declarou a prima.

Érica também destacou o significado simbólico da doação. “As pessoas que estão recebendo os órgãos dela não estão recebendo apenas um órgão, estão recebendo algo com amor. Que o olhar dela esteja enxergando novamente a luz do dia, que o coração dela esteja batendo em outra vida. Isso é o que traz conforto para a gente.”

Recorde de doadores

Na última quarta-feira (6/5), a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) publicou os dados mais recentes relacionados ao número de doadores de órgãos no Brasil. O relatório do Registro Brasileiro de Transplantes mostra que o país atingiu um recorde histórico. Em 2025, 4.335 pessoas transplantaram pelo menos um órgão, o que equivale a 20,3 por milhão de população (pmp).

LEIA AINDA:

Na lista de órgãos, o rim segue na liderança dos mais transplantados. Na sequência, aparece o fígado. Apesar do avanço das estatísticas relacionadas a doações desses dois órgãos, o levantamento mostrou que em relação aos órgãos torácicos (coração e pulmão) os números apontam uma diminuição das doações.

Apesar dos avanços, o Brasil conta com um número incipiente de doações se comparado o tamanho de sua população em relação aos demais países. Os dados mostram que o país ocupa a 25ª posição em número de doadores efetivos.

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