Sandro Mabel criticou projetos de arquitetura enviados para licenciamento – Foto DG
O prefeito Sandro Mabel anunciou nesta sexta-feira (27) que vai lançar nos próximos dias medidas “duras”, segundo definiu, com foco nos projetos de arquitetura que são apresentados para a obtenção de licenciamento junto aos órgãos municipais. Mabel disse que a qualidade dos projetos virou um custo a mais para a Prefeitura e acusou o uso de pessoas não qualificadas como motivo.
“Nós vamos lançar uma medida até dura nesses próximos dias, porque nós temos um monte de escritório de arquitetura que só tem estagiário. Aí o cara faz o projeto, manda pra lá. A gente faz uma revisão, aí manda errado outra vez. O projeto tem nove revisões, não vai ter mais isso”, definiu.
Novas regras: multa e cancelamento a partir da segunda revisão
Segundo ele, com a mudança, “a partir da segunda revisão, [o interessado] paga uma multa ou cancela e começa o processo outra vez. Então, a pessoa tem que ter responsabilidade pra mandar um projeto pra Prefeitura”, reclamou.
Sem poupar críticas, Mabel ainda afirmou: “A Prefeitura não é escola de ficar ensinando como faz o projeto. Então, eu mandei endurecer isso daí, porque senão nós não damos conta da quantidade de processos que entra e da quantidade de revisão. Entra um processo e se cada um tiver três, quatro revisões, entra mil processos e tem quatro mil análises a serem feitas. Nós não faremos mais isso”.
Ele disse que está havendo contratação de pessoas sem a qualificação ideal. “As pessoas têm que começar a contratar profissionais que leiam, que aprendam, que façam direito. Se não fizer direito, o processo, na segunda vez, ele é cancelado e ele tem que começar outra coisa. Vai pagar outra taxa, vai pagar tudo outra vez. É pra implantar nesses próximos dias”, reforçou.
Falhas na execução e uso de estagiários pelos escritórios de arquitetura
Segundo o prefeito, as coisas agravam após a execução. “Na hora que você vai fazer a fiscalização da execução, está errado ainda. Executa errado. Põe dez centímetros pra dentro do terreno, não faz a topografia certa”, pontuou.
Mabel disse que ele próprio conhece escritório de arquitetura que, fora o dono que é arquiteto, só emprega estagiários. “Por quê? Porque a mamãe prefeitura corrige as coisas pros outros”, reclamou ainda.
O prefeito finalizou apontando que o custo final disso recai sobre a população. “É o contribuinte que paga o salário de um monte de analista pra ficar corrigindo erros que deveriam vir certo. Vai se disciplinando devagarzinho, você não pode virar a chave de um dia pro outro, mas nós vamos começar a apertar a chave”.
Conselho ainda não comentou
A reportagem do Diário de Goiás procurou o Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) diversas vezes na manhã desta sexta, abrindo espaço para comentar as críticas do prefeito, mas, por causa de uma reunião, a resposta não veio antes da publicação deste texto. O jornal continua aberto para os comentários do conselho.
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