Entre os dias 28 e 31 de maio, a cidade Nova Veneza, a apenas 30 quilômetros de Goiânia, recebe a 20ª edição do tradicional Festival Italiano, que neste ano traz o tema Brindiamo Storia e Sapori [Brindando História e Sabores].
Integrante do calendário oficial de grandes eventos gastronômicos de Goiás, a festa deve atrair mais de 120 mil visitantes ao longo dos quatro dias. Gastronomia típica, apresentações culturais, danças, música italiana e brasileira e muito artesanato prometem transformar a Praça da Matriz em um pedaço vibrante da Itália no coração do Cerrado.
Entre as novidades da edição comemorativa está o lançamento do Cabernet Sauvignon Veneza 1924, vinho exclusivo do festival, produzido na Serra Gaúcha. A bebida está sendo preparada pela Fante, uma das maiores indústrias de bebidas do país, com atuação nacional e exportação para mais de 18 países da América Latina e África.
O nome do rótulo nasceu de um concurso realizado em outubro do ano passado, que mobilizou o público. “Veneza” faz referência ao nome da cidade e “1924” remete ao ano em que João Stival doou terras para a construção da primeira capela, marco inicial da formação do vilarejo.
“Não se trata de apenas um vinho, mas um brinde àqueles que deram origem à nossa história”, destaca Maria do Carmo Basílio. Os vencedores do concurso receberão mil reais em consumo na Cantina da Nonna, restaurante oficial do evento.
Além do vinho comemorativo, a organização promete novidades no cardápio, entre os expositores e na programação cultural, reforçando o intercâmbio entre as tradições italianas e brasileiras.
O tombo da polenta, um dos momentos mais tradicionais do Festival Italiano. Divulgação
Festival Italiano de Nova Veneza – A Itália em solo goiano
Com cerca de 10 mil habitantes, segundo o IBGE, sendo aproximadamente 60% descendentes de italianos, Nova Veneza foi reconhecida oficialmente como Capital Italiana de Goiás em 2023, por meio de lei estadual.
A história do município está diretamente ligada à imigração italiana no início do século XX. Em 1912, João Stival e familiares deixaram Minas Gerais e São Paulo em busca de terras férteis e acessíveis no Centro-Oeste. A região, então coberta por mata, deu lugar a lavouras de arroz, feijão e milho, além da suinocultura.
Com o passar dos anos, outras famílias italianas se estabeleceram na área, formando uma comunidade onde o dialeto vêneto ecoava nas fazendas e receitas como polenta e macarrão se tornaram parte do cotidiano.
Em 1924, a doação de terras para a construção da capela e de áreas comerciais marcou oficialmente o nascimento do vilarejo, que se tornou distrito de Anápolis em 1927 e foi emancipado em 1958.
Hoje, o Festival Italiano é mais que uma celebração gastronômica. É também motor econômico: segundo a organização, ao menos um terço dos moradores trabalha direta ou indiretamente na festa, seja na produção dos pratos, no atendimento ao público ou nas apresentações culturais.