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Polícia desarticula esquema de venda de chácaras em área protegida em Goiás

COLUNA DO JOÃO BOSCO BITTENCOURT

Segundo a PC, prejuízos somam quase R$ 10 milhões e ao menos seis vítimas foram identificadas

Área às margens do Rio dos Patos, em Barro Alto (GO), onde lotes ilegais foram demarcados e vegetação nativa foi suprimida (foto divulgação)

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João Bosco Bittencourt

A Polícia Civil de Goiás, por meio da delegacia de Barro Alto, desmantelou uma organização criminosa responsável pela venda ilegal de 69 lotes em uma área de preservação ambiental. Segundo a PC, a fraude, batizada de “Condomínio dos Bichos”, ocorreu na zona rural do município e causou prejuízo estimado em quase R$ 10 milhões, incluindo danos ambientais, valor da propriedade invadida e prejuízos às vítimas.

De acordo com as investigações, o grupo invadiu uma fazenda de 19,5 hectares às margens do Rio dos Patos e deu início à comercialização irregular de chácaras que sequer existiam. Os criminosos, diz a polícia, utilizaram material publicitário sofisticado, como mapas, fotos aéreas e cronogramas fictícios de obras, além de criarem grupos em redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair compradores de diferentes estados.

O inquérito aponta que ao menos três pessoas participaram ativamente do esquema: dois ex-servidores estaduais aposentados e um fiscal ambiental do município. Este último teria colaborado com a emissão de licenças irregulares e se omitido em fiscalizações, mesmo após constatar o desmatamento na área. Um dos investigados segue foragido, com mandado de prisão em aberto.

Perícias realizadas no local comprovaram a devastação de 1,82 hectares de vegetação nativa do Cerrado, incluindo 0,22 hectares em área de preservação permanente. Foram identificadas a instalação de postes de energia, construção de estrada e cercamento de terrenos, caracterizando tentativa de parcelamento ilegal do solo.

As chácaras eram oferecidas por valores entre R$ 50 mil e R$ 120 mil, com opção de parcelamento. Algumas vítimas entregaram veículos como parte do pagamento. A polícia já identificou seis vítimas formais, mas estima que o número possa ser maior, dado o alcance do golpe em diversos estados brasileiros.

Durante as investigações, os autores ainda tentaram reconfigurar o empreendimento como uma “cooperativa” com o objetivo de escapar de possíveis sanções legais, segundo a polícia. O líder do grupo foi preso preventivamente, mas responde em liberdade mediante medidas cautelares.

O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário. A Polícia Civil segue com diligências para identificar novas vítimas e possíveis ramificações da fraude.

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