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Prêmios internacionais atraem atenção para vinhos goianos

Antes marginalizados por consumidores e especialistas em enologia, os vinhos produzidos em Goiás vivem um momento especial. Embalados por prêmios internacionais conquistados sobretudo nos últimos três anos, os rótulos criados no Cerrado ganharam prestígio e espaço privilegiado nas gôndolas.

A principal conquista ocorreu em março de 2026, quando a Vinícola Monte Castelo recebeu a medalha Grande Ouro no Concurso Vinalies Internationales, realizado em Cannes, na França, com o rótulo Albhus Blend 2022.

Na mesma edição, a Vinícola São Patrício conquistou duas medalhas de Ouro com os rótulos Talha-Mar Syrah 2023 e Talha-Mar Blend 2023. Este último também foi avaliado com 90 pontos no Guia Descorchados 2026, segundo a vinícola.

(Foto: Divulgação)

De acordo com Carolina Martin, diretora comercial da Monte Castelo, o principal desafio agora é manter a consistência da produção diante da maior visibilidade: “Produzir um grande vinho uma vez é talento; produzir todos os anos é gestão e obsessão”, afirmou ao Mais Goiás.

Reconhecimento crescente

O desempenho recente reforça resultados anteriores. Em 2025, a Vinícola Casa Moura conquistou medalha de Ouro no Concurso Vinalies, em Cannes, com o Terras Altas do Cerrado Syrah 2023, e também foi premiada no International Wine Challenge 2025, em Londres, e no VINUS 2025, em Mendoza, na Argentina, onde obteve Duplo Ouro e 97 pontos com o W One Touriga Nacional 2023.

Em 2026, a Casa Moura voltou a ser premiada no Vinalies (desta vez com o Syrah 2022) e ainda conquistou quatro medalhas de Ouro no Concurso Internacional Bacchus, em Madri, sendo a única vinícola do Centro-Oeste a alcançar esse feito.

Em 2024, a Vinícola Serra das Galés conquistou Ouro no Brazil Wine Challenge, em Bento Gonçalves (RS), com o vinho Muralha Castelão. Sebastião Ferro, diretor da vinícola, explicou: “Não é uma prática usual elaborar vinhos varietais da uva Castelão, principalmente em Portugal, de onde ela é originária. Praticamente somos pioneiros desta uva.”

Vinícola Serra de Galés (Foto: divulgação)

Técnica e adaptação ao clima

As vinícolas goianas têm apostado na técnica da dupla poda, que permite deslocar a colheita para o inverno, período seco e mais favorável à qualidade das uvas. A estratégia tem sido decisiva para adaptar a produção às condições do Cerrado, marcado por verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos, especialmente em áreas de altitude que variam de 750 a 1.300 metros.

Segundo Sebastião Ferro, da Serra das Galés, o terroir da região contribui diretamente para o perfil dos vinhos: “A técnica da dupla poda permite a colheita no inverno, fugindo das chuvas de verão. Nossos vinhos apresentam cor intensa, notas de frutas e boa persistência.”

O clima, no entanto, ainda impõe desafios. De acordo com a Vinícola Casa Moura, o equilíbrio é fundamental para garantir qualidade: “Chuvas em excesso comprometem a concentração de açúcares, enquanto o excesso de sol pode prejudicar a maturação equilibrada da fruta.”

Vinícola Casa Moura (Foto: divulgação)

Para enfrentar essas condições, além da dupla poda, os produtores investem em práticas sustentáveis e manejo específico do solo. A Casa Moura, por exemplo, mantém uma área privada de reserva nativa de mais de 1.200 hectares de Cerrado para proteger o microclima dos vinhedos e adota técnicas como controle hídrico, uso de energia renovável e manejo regenerativo.

Desafios para consolidação

Apesar do crescimento e do reconhecimento internacional, o setor ainda enfrenta obstáculos para se consolidar no mercado nacional. Entre os principais pontos destacados estão a necessidade de incentivos, maior promoção e fortalecimento institucional.

Segundo a Vinícola Casa Moura, o Brasil ainda carece de políticas mais estruturadas para valorização da produção local. “Países como França, Espanha, Portugal, Argentina, Itália e China investem no setor e priorizam o consumo de vinhos nacionais em eventos oficiais”, destaca a equipe da vinícola.

A falta de visibilidade também é apontada como um entrave. Para a Vinícola São Patrício, é necessário ampliar o acesso do público aos rótulos goianos: “Faltam produtos no mercado nacional, reconhecimento institucional e uma escala de promoção”, afirma a vinícola.

Quando um consumidor em regiões como São Paulo ou Rio de Janeiro encontrar um vinho goiano de alta qualidade com a mesma facilidade que encontra um do Sul ou da Serra da Mantiqueira, aí sim teremos nos consolidado plenamente“, reforça.

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