Em abril, um trecho interditado por desmoronamento provocado pela pressão hídrica passou por obras – Foto: Secom Goiânia
A Prefeitura de Goiânia anunciou o início de um dos maiores projetos de drenagem urbana da história da capital. A primeira bacia de contenção da Marginal Botafogo receberá investimento de R$ 40 milhões e terá capacidade para armazenar 100 milhões de litros de água da chuva, com o objetivo de reduzir os alagamentos que historicamente afetam a região durante o período chuvoso.
A obra faz parte de um plano estruturante para toda a bacia do Botafogo, que prevê investimentos entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões nos próximos anos. A estratégia busca enfrentar um problema que se agravou ao longo das últimas décadas em razão da expansão urbana e da crescente impermeabilização do solo em bairros como Setor Bueno, Jardim América e Pedro Ludovico.
Segundo o prefeito Sandro Mabel (UB), o projeto representa uma mudança de paradigma na forma como Goiânia enfrenta os desafios causados pelas chuvas intensas. A primeira estrutura será implantada entre a Rua Nonato Mota e a Avenida 2ª Radial, nas proximidades do Jardim Botânico, um dos pontos estratégicos da bacia hidrográfica.
Atualmente, mesmo com a melhoria da microdrenagem e a limpeza constante de galerias e bocas de lobo, grande parte da água captada na região central e em bairros densamente urbanizados acaba convergindo para a Marginal Botafogo. O volume excedente sobrecarrega a infraestrutura existente, provocando inundações, transtornos ao trânsito, prejuízos materiais e riscos à população. Além disso, a marginal registrou desmoronamento em alguns pontos e precisou ter trechos interditados.
“Piscinão” temporário
A nova bacia funcionará como um reservatório temporário. Durante chuvas intensas, a água será armazenada nesse bolsão e liberada gradualmente, reduzindo os picos de vazão que chegam ao córrego Botafogo e aos demais cursos d’água conectados ao sistema.
Mais duas bacias
O projeto prevê ainda a construção de outras duas grandes bacias de reservação, formando um complexo capaz de armazenar até 300 milhões de litros de água. As futuras estruturas deverão ser implantadas na região do Viaduto Paulo Borges e no Polivocacional Araguaia.
A expectativa da prefeitura é que o sistema integrado contribua para diminuir significativamente os pontos críticos de alagamento, aumentar a segurança de motoristas e pedestres, reduzir interrupções no trânsito e preservar a infraestrutura urbana, evitando danos ao asfalto e processos erosivos.
Além das bacias de contenção, o plano contempla intervenções complementares, como adequações hidráulicas, limpeza permanente de galerias pluviais, recuperação do córrego Botafogo e implantação de soluções sustentáveis de drenagem. Entre elas estão corredores verdes, áreas de infiltração, pavimentos drenantes e outras medidas voltadas à absorção natural da água da chuva.
92 pontes previstas
Outro eixo do programa prevê melhorias na mobilidade urbana, com a construção de aproximadamente 92 pequenas pontes interligando bairros e criando novas alternativas de deslocamento para a população.
A administração municipal considera que os investimentos representam uma ação de longo prazo para tornar Goiânia mais resiliente às mudanças climáticas e preparada para enfrentar eventos extremos, reduzindo os impactos das chuvas sobre moradores, empresas e serviços públicos.
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