Secretário Luiz Pellizzer divulgou vídeo lamentando e explicando o impasse – Foto reprodução Instagram SMS
O secretário municipal de Saúde de Goiânia, Luiz Pellizzer, reagiu à possibilidade de greve dos médicos concursados da rede municipal, afirmou que a Prefeitura mantém aberto o diálogo com a categoria e que um grande número de faltas (absenteísmo) foi um dos fatores para mudanças que não estão sendo aceitas. Em vídeo gravado na sexta-feira (28) e publicado no Instagram da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na tarde deste sábado (29), após a repercussão da ameaça de paralisação, Pellizzer apresentou a versão da gestão sobre o impasse envolvendo a Portaria nº 550/2026, que altera a distribuição da jornada de trabalho dos profissionais a partir de terça-feira 1º.
O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) convocou os médicos concursados da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia para Assembleia Geral Extraordinária na segunda-feira (31), às 20h, de forma virtual, para deliberar sobre um indicativo de greve. Como mostrou o Diário de Goiás, a categoria está insatisfeita com as mudanças na distribuição da jornada de trabalho nas unidades municipais da capital.
Secretário diz que ambulatórios estavam com alto índice de absenteísmo
No vídeo, Pellizzer afirmou que a decisão de alterar as regras de distribuição da jornada surgiu após a gestão identificar índices elevados de ausência nos ambulatórios da rede municipal. Segundo ele, havia unidades com 30%, 40% e 50% de absenteísmo e, em alguns casos, apenas 15% de presença.
De acordo com o secretário, a avaliação da gestão apontou que parte dos profissionais concentrava toda a carga horária em um ou dois dias da semana. Na avaliação dele, esse modelo dificultava a oferta de atendimento à população durante os demais dias.
Portaria de 2018 foi considerada desatualizada
Luiz Pellizzer afirmou que a Prefeitura decidiu atualizar uma portaria de 2018 que tratava da carga horária dos servidores da Saúde e que, segundo ele, sequer vinha sendo cumprida integralmente.
O secretário reconheceu que a atualização inicial apresentou erros e precisou ser corrigida, dando origem à Portaria nº 550/2026. A previsão inicial era de que as novas regras começassem a valer em 1º de agosto, mas, segundo Pellizzer, a aplicação foi postergada para 1º de setembro para permitir que os profissionais se adaptassem às mudanças.
Gestão afirma que recebeu sugestões dos sindicatos
Segundo Pellizzer, no início de agosto ele foi procurado por representantes dos sindicatos de médicos, enfermeiros e odontólogos, que apresentaram dificuldades relacionadas à nova distribuição da jornada. O secretário afirmou que reconheceu que havia pontos levantados pelas entidades que não conseguiu refutar.
Ele disse que, diante disso, a gestão abriu espaço para sugestões e recebeu documentos das categorias. Segundo Pellizzer, parte das propostas foi inicialmente considerada inviável pela Prefeitura, mas, após uma nova reunião, os representantes teriam esclarecido pontos que, de acordo com ele, haviam sido compreendidos de forma diferente pela gestão.
Luiz Pellizzer diz que Prefeitura aceitou espalhar jornada durante a semana
O secretário afirmou que houve uma reunião de cerca de uma hora e meia na qual Prefeitura e representantes das categorias chegaram a um consenso sobre alguns pontos. Segundo ele, a gestão cedeu em determinadas questões, mas manteve como fundamental a necessidade de distribuir a carga horária ao longo da semana.
Pellizzer afirmou que a Prefeitura quer evitar que toda a jornada seja concentrada em apenas um ou dois dias e defende que o profissional esteja presente na unidade em mais dias da semana. Segundo ele, a gestão considera ideal que pelo menos 60% da semana tenha cobertura do profissional.
Secretário afirma que Prefeitura atendeu maioria das demandas
No longo vídeo, Pellizzer afirmou que a Prefeitura teria atendido entre 80% e 90% das demandas apresentadas pelo SIMEGO e pelos sindicatos de odontólogos relacionadas às cargas horárias.
Segundo ele, o principal ponto que não foi aceito foi a possibilidade de concentração de 10 horas em um único dia para profissionais com jornada semanal de 20 horas. O secretário argumentou que, caso o profissional concentre metade da jornada semanal em um único dia, uma ausência por feriado, atestado ou outro motivo poderia representar a perda de metade da carga horária semanal disponível para atendimento.
Pellizzer também argumentou que a concentração da jornada reduz as oportunidades de atendimento para pacientes. Segundo ele, caso o paciente não consiga comparecer justamente no dia em que o profissional está na unidade, terá apenas mais uma ou duas oportunidades durante a semana.
Gestão propôs quatro períodos de cinco horas
O secretário afirmou que a Prefeitura também levou em consideração a dificuldade apresentada pelos profissionais em relação ao deslocamento para a unidade quando a jornada é distribuída diariamente.
Como alternativa, segundo Pellizzer, a gestão propôs três períodos de seis horas, com as duas horas restantes sendo cumpridas em um dia adicional no mês, inclusive por meio de mutirão ou outra forma a ser combinada com a administração.
Outra proposta apresentada, de acordo com o secretário, foi a realização de quatro períodos de cinco horas em quatro dias diferentes da semana. A Prefeitura teria aceitado ainda que os profissionais pudessem cumprir os períodos em horários diferentes, com um dia pela manhã e outro à tarde, por exemplo, para permitir a compatibilização com outros vínculos profissionais.
SIMEGO questiona rigidez das novas regras
A posição da gestão ocorre em meio à insatisfação dos médicos concursados, que afirmam ter enfrentado dificuldades para compatibilizar a nova distribuição da jornada com outros vínculos públicos legalmente acumuláveis e compromissos profissionais previamente organizados.
O SIMEGO afirma que mais de uma centena de médicos procurou o sindicato desde a publicação da Portaria nº 550/2026. A entidade também sustenta que a imposição de escalas rígidas pode desorganizar equipes, provocar afastamento de profissionais experientes e prejudicar a continuidade da assistência à população.
Segundo o Sindicato, o principal ponto de divergência é a possibilidade de cumprimento da jornada semanal de 20 horas em quatro períodos de cinco horas, inclusive com dois períodos no mesmo dia, modelo que, segundo a entidade, era praticado anteriormente por diversos profissionais.
Secretário critica ação judicial durante negociação
Luiz Pellizzer também criticou o fato de a Prefeitura ter sido acionada judicialmente enquanto, segundo ele, ainda havia negociações em andamento com os representantes dos médicos e disse que isso o surpreendeu e entristeceu.
O secretário afirmou que soube da ação por meio de uma notificação judicial e disse ter questionado o presidente do sindicato sobre a manutenção do processo enquanto as partes discutiam alterações na portaria.
Segundo Pellizzer, a gestão havia chegado a um entendimento sobre a distribuição da carga horária em reunião realizada no dia 19, mas posteriormente tomou conhecimento da existência da ação judicial.
SMS diz que alterações na portaria estão suspensas
No vídeo, Pellizzer afirmou que, diante da ação judicial, a Prefeitura decidiu suspender novas alterações na portaria até que haja uma resolução sobre o processo. Segundo ele, qualquer mudança poderá ficar para novembro caso não haja tempo suficiente para cumprir o prazo de 30 dias previsto para as movimentações.
O secretário afirmou ainda que o Estatuto dos Servidores orienta que essas movimentações tenham pelo menos 30 dias e citou que, em uma mudança anterior de portaria, a Prefeitura teria respeitado um prazo de 60 dias.
Pellizzer pede que médicos não deflagrem greve
Ao comentar a possibilidade de paralisação, o secretário afirmou que a decisão de entrar ou não em greve é um direito da categoria, desde que existam motivos considerados claros. Ele citou que não há salários atrasados, que existem projetos de reforma em andamento e que a rede possui, segundo ele, 90% dos insumos necessários.
Pellizzer afirmou esperar que os médicos não entrem em greve sob a alegação de que não houve negociação ou de que as cargas horárias não foram discutidas. Segundo ele, a gestão atendeu à maioria das reivindicações apresentadas pelas categorias.
Secretário diz que Prefeitura continua aberta ao diálogo
Pellizzer encerrou o vídeo afirmando que a Prefeitura permanece aberta ao diálogo e pediu que o SIMEGO retire a ação judicial e não deflagre a greve para permitir que as negociações avancem.
“Não pode ser assim: quando é interessante para ele, para o SIMEGO, ou para qualquer outra categoria, não precisa cumprir a portaria. Normas são normas”, afirmou o secretário.
Segundo Pellizzer, a Prefeitura considera que o conflito poderia ser resolvido por meio do diálogo e afirmou que as mudanças nas regras precisam também contemplar o interesse da população atendida pela rede municipal.
A Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo SIMEGO para segunda-feira (31), às 20h, deverá definir os próximos passos da categoria. A deliberação sobre o indicativo de greve não significa, necessariamente, o início imediato de uma paralisação.
Procurada neste sábado (29), a Secretaria Municipal de Saúde informou que mantém diálogo com as entidades representativas das categorias profissionais da saúde e que as propostas apresentadas pelos sindicatos foram analisadas pela gestão. Segundo a SMS, as sugestões consideradas viáveis foram acatadas.
A secretaria informou ainda que a reorganização das escalas e agendas tem como objetivo ampliar e qualificar o atendimento à população, garantir melhor aproveitamento da força de trabalho e ampliar a oferta de consultas em toda a rede municipal.
A SMS esclareceu que a Portaria nº 550/2026 entrou em vigor em 1º de agosto e que os médicos especialistas tiveram 30 dias para se adequar às novas regras. Dessa forma, para esses profissionais, as disposições da portaria passam a ser aplicadas a partir de terça-feira (1º de setembro).
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