40º FEMINICÍDIO
Motorista ficou incomodado ao ver Kimmberlly conversando com outros homens em bar. Defesa diz que caso não deve ser tratado como feminicídio
Estudante de direito Kimmberlly Gisele Pereira Rodrigues, de 21 anos (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Ivan Rodrigues Cardoso, que tem 33 anos e foi preso em razão da morte da estudante de Direito Kimmberlly Gisele Pereira Rodrigues, de 21, confessou para Polícia Civil que teve uma crise de ciúmes momentos antes do acidente que terminou com o capotamento do carro na BR-060, em Alexânia.
Segundo a delegada Silzane Bicalho, responsável pela investigação, Ivan contou que os dois passaram o dia em uma chácara e depois foram para um bar em Alexânia antes de seguirem viagem para Brasília, na madrugada do dia 4 de maio. O suspeito afirmou que ficou incomodado ao perceber que Kimmberlly era bastante conhecida no local e cumprimentava outras pessoas. “Ele falou que os caras mexiam com ela”, relatou a delegada.
Ainda conforme a investigação, Ivan admitiu que havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Ele contou que, já na rodovia, viu um vulto na pista, puxou o volante e perdeu o controle do veículo, que capotou às margens da BR-060.
Kimmberlly chegou a ser socorrida com vida, mas morreu dentro da ambulância durante o atendimento. Ivan foi encaminhado para um hospital em Anápolis e depois preso temporariamente pela Polícia Civil. Nesta quinta-feira (21), ele passou por audiência de custódia e segue preso.

Feminicídio com dolo eventual
O caso passou a ser investigado como feminicídio com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar. Para a delegada, o consumo de álcool, o estado emocional do motorista e os relatos sobre ciúmes são fatores importantes para esclarecer o que aconteceu antes do acidente.
Ao decretar a prisão preventiva de 30 dias, o juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende, da comarca de Alexânia, afirmou que “a liberdade do investigado poderia fragilizar a coleta de provas, dificultar a apuração dos fatos e comprometer a aplicação da lei penal”.
Defesa nega feminicídio
A defesa de Ivan Rodrigues Cardoso afirmou, por meio da advogada Luiza Barreto Braga, que ainda é precipitado tratar o caso como feminicídio antes da conclusão das perícias técnicas. Segundo a defesa, não há comprovação de intenção deliberada de provocar o acidente.
Familiares e amigos da estudante defendem que o episódio não seja tratado apenas como um acidente de trânsito. Kimmberlly cursava direito, trabalhava em uma loja de produtos esportivos e era descrita por pessoas próximas como alegre, carismática e muito querida entre amigos.o querida entre amigos.