A força de uma comunidade pode atravessar séculos quando a memória encontra caminhos para permanecer viva. A I Semana Quilombola do Moinho, que acontece em Alto Paraíso de Goiás entre os dias 20 e 22 de novembro, chega com uma proposta rara. Além de celebrar a ancestralidade, reafirma a resistência de um território que preserva modos de vida, espiritualidade e pertencimento no coração do Cerrado. A iniciativa se torna ainda mais simbólica porque integra o período do Mês da Consciência Negra, que convoca o país a reconhecer as raízes africanas que estruturaram sua identidade cultural.
Identidade que se move entre passado e futuro em Moinho
A princípio, a programação tem como destaque o encerramento do projeto Histórias do Meu Quilombo, responsável pela criação de um documentário e de um videoclipe produzidos com participação direta dos moradores. A proposta nasceu do desejo de registrar narrativas familiares, trajetórias coletivas e saberes transmitidos entre gerações. Sendo assim, rodas de conversa, oficinas e encontros intergeracionais aproximaram jovens e idosos em um processo de memória ativa. A comunidade se viu diante de sua própria história, reconstruída pelas vozes que ainda habitam o território.
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Documentário inédito e memória viva: Alto Paraíso recebe a I Semana Quilombola do Moinho. Foto: Divulgação
Segundo Lucas Gomes, presidente da Associação Quilombola do Povoado Moinho, preservar essas narrativas significa garantir que o futuro não rompa com aquilo que sustentou a comunidade até aqui. Em suas palavras, o projeto fortaleceu identidades e reafirmou o que o Moinho representa para cada morador.
O território que resiste em silêncio e canto
Além disso, a Semana Quilombola oferece oficinas, rodas de conversa, capoeira, música e um painel científico sobre pesquisas relacionadas ao território. A cada atividade, novas camadas da história se revelam. No dia 20, ocorre o lançamento do videoclipe O Moinho é o Meu Mundo. No encerramento, será exibido o documentário Histórias do Meu Quilombo, esperado como momento de grande emoção para os moradores e visitantes.
Localizado em meio ao Cerrado goiano, o Quilombo do Moinho possui mais de 250 anos de existência e é reconhecido pela Fundação Palmares. Com raízes fincadas na fé, na solidariedade e na transmissão de saberes, o Moinho constitui um território de resistência, onde parteiras, raizeiras e benzedeiras exerceram papéis fundamentais na existência coletiva. A trajetória de Dona Flor, que realizou mais de três mil partos ao longo da vida, representa esse legado que atravessa o tempo e resiste à invisibilidade.
Alto Paraíso celebra ancestralidade na I Semana Quilombola do Moinho. Foto: Divulgação
O evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e parceiros locais. Para os organizadores, a Semana Quilombola não é apenas uma festividade, mas um marco político e social que reforça o protagonismo de famílias que escrevem, com suas próprias vozes, novos capítulos de uma história que não começou agora e não deve ser esquecida.
Por fim, a I Semana Quilombola do Moinho se abre como convite para aprender, escutar e sentir a força de um povo que segue em movimento.
Serviço
- I Semana Quilombola do Moinho
- Data 20 a 22 de novembro
- Local Alto Paraíso de Goiás, comunidade Quilombo do Moinho
- Programação Roda de conversa, oficinas, rodas de capoeira, ocupações sonoras, lançamento de videoclipe e exibição de documentário.
- Classificação livre
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