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Caiado critica ausência de Lula e acusa governo federal de “retaliação”


Governador Caiado ataca Lula em evento – Foto DG

A ausência do presidente Luís Inácio Lula da Silva no evento de inauguração de obras de saneamento em parceria com a Saneago foi alvo de vários ataques do governador Ronaldo Caiado (UB). O governador não poupou críticas e disse que gostaria de estar frente a frente com Lula para fazer as reclamações que fez em entrevista coletiva, na presença do ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho (MDB).

Ao lado do ministro, Caiado desferiu “alfinetadas” e insinuações em tom comparativo, dizendo que não tem máculas em sua história. “Não assaltei aposentado. Não assaltei Petrobrás. Nunca desonrei o voto do goiano. Tenho autoridade moral para falar. Queria é que o presidente estivesse aqui que eu diria a ele, na tampa da cara do Lula, isso que Goiás está vivendo”.

A irritação do governador é uma reação à insatisfação com ações do governo federal, relativas a repasses de recursos, obras esperadas, e também pela iniciativa do partido do presidente, o PT, que conseguiu barrar no Poder Judiciário grandes obras rodoviárias alegando falta de licitação.

Frustração com o PAC

Ele citou frustração com promessas para o Programa de Aceleração do Crescimento, por exemplo. “No começo do meu governo recebi a promessa de três obras grandes do PAC: o transporte [metrô] de Luziânia a Brasília, que a cada dia tem um adiamento; solicitamos área de irrigação no Vão do Paranã para assentados em condições subumanas, ‘ah, lá não podemos atender [disseram]’. Então vamos atender o Cora, as policlínicas e construir penitenciárias, [mas] o dinheiro não chegou até hoje”, elencou ele.

Para Ronaldo Caiado, os exemplos mostram que o governo Lula não separou “política de gestão”. Nesse ponto, ele vinculou as barreiras e dificuldades às eleições presidenciais de 2026. “O povo goiano não pode ser penalizado porque amanhã o governador Ronaldo Caiado tem a pretensão de disputar uma eleição. Mas queria falar isso na tampa da cara do presidente Lula”, repetiu Caiado.

Ação contra obras foi retaliação, acusa Caiado

Sobre a ação do PT que suspendeu a parceria com o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (Ifag) para fazer as obras com os recursos da Taxa do Agro, o governador pediu que o PT nacional “reflita sobre o prejuízo que está causando para o estado de Goiás”. Ele falou em revolta própria “e das pessoas que vivem no interior e não têm acesso a rodovias. Os produtores que querem produzir às pessoas que desejam dignidade e cidadania e estão sendo excluídas por essa ação de retaliação, de exclusão de Goiás”, argumentou.

Caiado lamentou que haja recursos já recolhidos e não esteja conseguindo tocar as obras quando o clima ainda permite por conta da liminar concedida ao PT. “Temos o caixa próprio para essas obras, então, entrar no Supremo contra o método? Estamos aplicando uma lei que a própria Dilma [Roussef, ex-presidente] apresentou e sancionou. Com a entrada das chuvas são milhões em obras paradas”, reclamou.

Governador aponta que modelo questionado é usado em outros estados

O governador ainda argumentou que mais de 20 estados utilizam o mesmo método de contratação que está sendo questionado pelo PT. “Eles embasaram essa ação de inconstitucionalidade numa lei que foi proposta pela Dilma que viabiliza ações do terceiro setor. E parar R$ 1 bilhão e 600 milhões em obras?”, voltou a questionar. Em seguida, ele apontou os bons números do estado em diversos setores para justificar que a gestão é equilibrada e eficiente.

Em outro momento da coletiva, incisivo, o governador voltou a atacar o governo Lula. “Não podemos admitir que o presidente [Lula] venha sufocar o estado de Goiás. Isso é uma atitude medíocre, retrógrada, inaceitável e inadmissível por parte do povo goiano. A revolta que estou expressando é a revolta do cidadão do estado de Goiás. O que fizeram para parar o Cora?”, questionou, se referindo ao complexo oncológico recém inaugurado.

Novamente, ele afirmou que as ações do governo Lula e do PT são políticas. “Gostaria que tivesse um gesto maior de entender que a briga do PT, se [ele] quiser, é com o União Brasil. Não tem por que brigar contra o povo goiano. Retirar essas obras, seis grandes obras?”.

“Há um clamor pelas rodovias”

E seguiu repetindo que há um clamor por essas rodovias. “Vá ver o que é morar e produzir naquelas regiões mais distantes, não ter uma ponte, uma rodovia. Uma criança ter que acordar às 4h da manhã porque não tem acesso mínimo. Uma pessoa que adoece e não tem como chegar”, exemplificou Caiado.

Depois, alfinetou novamente o PT: “Não caminhe para a mediocridade, para a retaliação”.

O governador argumentou que os prefeitos do PT de cidades goianas são tratados com o mesmo respeito que os demais. “Perguntem se já bloqueei alguma obra de algum prefeito [do PT] alguma vez. Eu dou exemplo como eu faço”, disse ainda.

Além dessas comparações, o Ronaldo Caiado afirmou também que gostaria que Lula tivesse vindo para cobrar, diretamente dele, repasses para a saúde que alega estarem fora dos padrões. “Estamos sofrendo hoje a perda de repasse de R$ 1 bilhão e 200 milhões na área da Saúde”, reforçou. Essa cobrança, inclusive, o governo goiano está fazendo junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Caiado aproveitou para atacar também o PSDB, tendo em vista a obra inaugurada nesta sexta-feira ter iniciado numa gestão tucana e não ter avançado. “Quando eu assumi, essa obra tinha 2,1% executados desde 2013. Todo o impacto dessa obra foi bancado pelo governo, pela Saneago. O governo federal entrou com R$ 45 milhões e o governo de Goiás com quase R$ 80 milhões”, comparou.  


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