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Juiz, jurados e advogados vão ao local do crime durante júri popular em Luziânia

JULGAMENTO

O crime ocorreu em 2021, em uma fazenda na zona rural de Luziânia. Vítimas teriam sido atraídas para uma emboscada

Juiz, jurados e advogados deixam fórum e vão ao local do crime durante júri popular em Luziânia (Foto: divulgação TJGO)

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Luanna Marques

Durante o julgamento do fazendeiro Cleiton da Silva Gomes e de seu caseiro, Jocivaldo Ribeiro de Abreu, realizado em Luziânia, juiz, jurados, representantes do Ministério Público e da defesa deixaram o fórum e seguiram até o local onde ocorreu o crime para esclarecer dúvidas sobre o caso. Os detalhes da sessão foram divulgados pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) na terça-feira (12).

A sessão foi conduzida pelo juiz Victor Alvares Cimini Ribeiro. Como determina a legislação, os jurados permaneceram em silêncio durante todo o julgamento, sem contato com terceiros fora dos debates oficiais do processo. Por isso, foi necessária uma logística especial para alimentação, deslocamento e hospedagem dos integrantes do Conselho de Sentença, que permaneceram em um hotel da cidade até o encerramento da sessão.

Relembre o crime

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em 14 de março de 2021, na Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, na zona rural de Luziânia. A acusação apontava que Cleiton e Jocivaldo, com ajuda de outras duas pessoas não identificadas, teriam armado uma emboscada contra João Cláudio Gonçalves dos Santos, Lucas Gabriel Pereira da Silva e Daniel Gonçalves Duarte.

De acordo com a acusação, as vítimas foram convidadas para ir até a propriedade e, ao chegarem ao local em motocicletas, teriam sido recebidas a tiros. João Cláudio morreu no local, enquanto Lucas e Daniel conseguiram fugir.

O Ministério Público também acusava os réus de fraude processual, com a alegação de que uma espingarda teria sido colocada ao lado do corpo da vítima para alterar a cena do crime.

Durante o julgamento, a diligência realizada fora do fórum teve como objetivo verificar pontos discutidos ao longo do processo, entre eles a possibilidade de as vítimas terem entrado na propriedade dos réus e a localização da residência dos envolvidos, apontados como vizinhos.

Legítima defesa

Após ouvirem testemunhas, interrogatórios, debates entre acusação e defesa e a análise das provas, os jurados acolheram a tese da defesa de que os acusados agiram em legítima defesa.

A versão aceita pelo Conselho de Sentença sustenta que as vítimas teriam invadido a propriedade após romper cadeados e se aproximado da sede da fazenda, momento em que Jocivaldo efetuou os disparos utilizando armas pertencentes a Cleiton.

Os jurados também concluíram que não houve alteração da cena do crime e entenderam que a espingarda encontrada ao lado do corpo de João Cláudio pertencia às próprias vítimas, afastando a acusação de fraude processual.

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