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Fieg divulga nota técnica alertando para impactos do reajuste de 18,5% na energia elétrica


Aumento põe economia goiana em risco, aponta Fieg que cobra diálogo e incentivos – Foto: arquivo

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) divulgou uma nota técnica nesta quinta-feira (23) onde alerta que o aumento médio de 18,5% nas tarifas de energia elétrica, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é um sinal de alerta para o setor produtivo goiano. O reajuste foi aprovado na terça-feira (21) e incide sobre as tarifas da Equatorial Goiás.

Segundo a área técnica Fieg, a correção pode reduzir a competitividade das indústrias, elevar custos logísticos e pressionar as cadeias produtivas integradas.

Com a energia representando até 35% dos custos operacionais em segmentos industriais, a Nota Técnica defende diálogo urgente com Aneel e MME, além de incentivos à eficiência energética e à geração renovável local.

A nota destaca que o reajuste autorizado, embora tecnicamente justificado pelos custos estruturais do setor elétrico, gera efeitos macroeconômicos negativos sobre o ambiente produtivo regional.

Impacto em mais de 3,5 milhões de consumidores goianos

“O aumento impacta mais de 3,5 milhões de consumidores residenciais, rurais, além dos setores industrial e agropecuário. Assim, com o encarecimento da energia, a tendência é a redução da competitividade das indústrias goianas em relação a outros estados, elevação de custos logísticos e impacto direto nas cadeias produtivas integradas”, avaliam os técnicos da Federação.

O aumento médio de 18,5% afeta diretamente o custo de produção da indústria goiana, visto que a energia elétrica representa mais de 20% dos custos operacionais de diversos segmentos. Segundo a Aneel, os principais fatores do reajuste foram o aumento de 5,98% nos encargos setoriais (repasses de políticas públicas), os custos de aquisição e distribuição de energia (impactados por contratos e custos operacionais) e os componentes financeiros (ajustes do ciclo anterior).

A análise aponta que esses fatores evidenciam um cenário de pressão inflacionária no setor elétrico nacional, com forte impacto na produção e competitividade em diversos segmentos. “As mais afetadas são as atividades intensivas em energia (alimentos, mineração, metalurgia, etc.)”, alerta a nota técnica.

Reflexos podem ser amplos

De acordo com a nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que o custo da energia elétrica já corresponde de 20% a 35% dos custos operacionais de empresas de médio e grande porte. Em Goiás, segundo os técnicos da Fieg,  esse reajuste pode reduzir margens de produção, inibir investimentos e comprometer empregos, o que teria reflexos são extensivos a todo ecossistema produtivo.

Outro ponto que chama a atenção, conforme a análise, é que “o comportamento tarifário em Goiás nos últimos oito anos revela forte volatilidade e tendência de alta, com picos de reajuste em 2018, 2021 e 2025”.

A nota cita que, para os consumidores industriais e comerciais de alta tensão, os aumentos variaram de -5,3% a +26,5%, enquanto para os de baixa tensão, as variações oscilaram entre -4,3% e +19,0%. “Essa instabilidade tarifária cria incertezas orçamentárias e compromete o planejamento financeiro de médio e longo prazo das empresas do setor produtivo”, indica.

“Neste momento, é imperativo, portanto, maior diálogo entre o setor produtivo, a Aneel e o Ministério de Minas e Energia (MME), com vistas à criação de políticas de modicidade tarifária e estímulo a fontes renováveis, incluindo a participação do Conselho de Consumidores de Energia Elétrica do Estado de Goiás (Conceg)”, sugere a federação.

Além disso, aponta também a necessidade de pautar a adoção de programas de eficiência energética, a gestão inteligente do consumo e o uso racional da energia.  Outro foco é a busca de alternativas sustentáveis e competitivas, “como a geração distribuída (usinas fotovoltaicas), a migração para o Mercado Livre de Energia e a contratação direta de energia renovável local”.

A análise técnica indica ainda que se torna essencial neste cenário que o Estado de Goiás avance em políticas públicas que favoreçam a transição energética e a competitividade industrial. “Nesse contexto, o SENAI Goiás, com sua expertise técnica, pode apoiar o setor produtivo na implantação de diagnósticos energéticos, modernização de sistemas e otimização de processos, contribuindo para a redução dos custos de energia no ambiente industrial”, acrescenta.

A nota encerra afirmando que, somente com uma ação conjunta e articulada, será garantido que o setor produtivo possa mitigar os impactos tarifários e manter sua trajetória de crescimento.

Governador criticou aumento

Na quarta, quando o reajuste entrou em vigor, o governador Ronaldo Caiado teceu duras críticas ao governo federal pelo valor. Além disso, também associou o reajuste à falta de investimentos federais no setor energético e disse que a precariedade do serviço compromete a expansão produtiva de Goiás.


Leia mais sobre: Aneel / Energia Elétrica / Fieg / Impactos da correção / Indústria goiana / Reajuste / Economia / Notícias do Estado

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